dezembro 29, 2016

Silenciadas, Hae-Young Lee | Opinião Filmes

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The Silenced
Poster internacional de Silenciadas

Realização: Hae-young Lee  
País: Coreia do Sul 
Géneros: Thriller, Mistério e Terror 
Elenco: Bo-yeon Park, Ji-won Uhm, So-dam Park, Ye-ji Kong, Bo-bi Joo

Sinopse:
Nos anos 30, uma jovem é enviada para um colégio interno, onde ela descobre estranhas coisas que acontecem diariamente às suas colegas (Fonte: Netflix).

Opinião: 
Recentemente, tive a oportunidade de assistir ao filme Silenciadas, uma obra sul-coreana dirigida por Hae-young Lee. A história desenrola-se na Coreia de 1938, quando o Japão toma o seu território em plena Segunda Guerra Mundial e se impõe com um regime colonialista, rebaixando os coreanos a membros de segunda categoria do seu império.

No início da história temos uma menina doente com tuberculose que é abandonada pela madrasta numa espécie de colégio interno, situado no meio de nenhures, onde outras meninas doentes estudam, aprendem a realizar actividades domésticas como bordar, fazem desporto e onde tratam as suas doenças.

Logo de início Shizuko é vítima de bullying por parte das outras colegas que parecem responsabilizar a jovem pelo desaparecimento súbito de outra menina a quem também foi dado o nome de Shizuko pela directora da escola (personagem brilhantemente desempenha pela compete Ji-won Uhm), desaparecimento que de resto se deu antes da sua chegada. Uma outra jovem, Kazue, toma a missão de proteger a frágil Shizuko para si. À medida que Shizuko vai sendo tratada pela sua doença, vai desenvolvendo capacidades que até então não possuía e as suas colegas começam misteriosamente a desaparecer.

O mistério que se vai adensando no decorrer da trama é muito bom, não esperava que o plot seguisse na direção que acabou por tomar. Quando comecei a ver o filme pensei que estava perante um típico filme de terror sobre um colégio amaldiçoado por um espírito vingativo, sem querer entrar em spoilers, digo que esta história marca pela diferença.

The Silenced
Kazue e Shizuko desenvolvem uma relação de grande amizade e cumplicidade.

O elenco é quase na sua totalidade feminino. Quanto às atuações temos Bo-yeong Park, no papel de Ju-ran Cha/Sizuko, uma jovem atriz já com um grande currículo e So-dam Park, como Yeon-deok Hong/Kazue, uma atriz em início de carreira que tem vindo nos últimos tempos a elevar o seu nome na Coreia do Sul e que tem de facto muito talento. A diretora da escola, a vilã, é interpretada pela “veterana” Ji-won Uhm que dispensa apresentações para quem está a par do que se tem feito na sétima arte na Coreia do Sul, tem 39 anos, uma grande beleza, e um currículo bastante extenso, sendo considerada uma das grandes atrizes da sua geração. Todas elas são muito competentes nos seus respetivos papéis.

The Silenced
Bo-yeong Park como a protagonista Ju-ran Cha/Shizuko
The Silenced
So-dam Park como Yeon-deok Hong/Kazue.


The Silenced
Ji-Won Uhm como a misteriosa diretora do colégio onde se passa a ação do filme.

O filme Silenciadas é um autêntico colorido para os olhos, com um figurino e uma a fotografia absolutamente deslumbrantes. Além da fotografia, as atuações de Bo-yeong Park, So-dam Park e Ji-won Uhm foram merecidamente premiadas.

The Silenced
Um filme com uma fotografia e figurino lindíssimos.

O melhor: A fotografia, uma autêntica beleza para os olhos!

O menos bom: Para um filme classificado na categoria de terror poderia ter sido um pouco mais assustador.
dezembro 16, 2016

O Pacto - Jodi Picoult | Opinião Livros

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O Pacto
Capa do livro O Pacto de Jodi Picoult.

Sinopse:
Será que conhecemos mesmo os nossos filhos? Há dezoito anos que os Harte e os Gold vivem lado a lado, partilhando tudo, desde comida chinesa e varicela até irem buscar os filhos uns dos outros à vez. Quer os pais quer os filhos são melhores amigos, por isso, não é nenhuma surpresa quando a amizade entre Chris e Emily se transforma em algo mais na altura do liceu. Tornaram-se almas gémeas no momento em que Emily nasceu. Quando ligam do hospital por volta da meia-noite, ninguém está preparado para a verdade terrível: Emily, com apenas dezassete anos, está morta devido a um tiro na cabeça, aparentemente resultado de um pacto suicida. A arma contém uma bala que Chris diz à polícia estar-lhe destinada, mas uma detective local tem dúvidas.Os Harte e os Gold, num único momento aterrador, têm de encarar o pior medo de um pai: será que conhecemos mesmo os nossos filhos?

Opinião: 

Será que conhecemos mesmo os nossos filhos?

Apesar do que poderemos concluir com a sinopse deste emocionante Bestseller Internacional, O Pacto acaba por retratar muito mais do que uma trágica história de amor ao estilo de Romeu e Julieta. Leva-nos numa viagem de avanços e recuos, onde aquilo que julgamos inicialmente vem a revelar-se errado, e aquilo que julgamos depois também não é a verdade, de facto a talentosa Jodi Picoult, autora que já havia ouvido falar, mas da qual desconhecia a obra, leva-nos numa viagem pela mente de dois adolescentes aparentemente normais, com uma vida que muitos gostavam de ter. No entanto, nem tudo o que parece o é, e a Jodi sabe conduzir o enredo com as suas inúmeras personagens numa espécie de jogo do gato e do rato connosco, o leitor.

Geralmente, prefiro romances cor de rosa, porque não quero sofrer demasiado com as personagens ao ler um livro, apesar de ser mesmo muito raro que me emocione dessa forma. Não, não chorei baba e ranho ao ler este livro, mas não deixei de sentir uma espécie de murro no estômago, devido à força da sua mensagem: Um só momento pode alterar toda uma vida, e de uma forma completamente cruel.

Chris Harte e Emily Gold são dois adolescentes com um futuro promissor, apenas um, porque as suas vidas estão ligadas de modo irremediável desde o início dos seus dias até ao fim dos mesmos. Aparentemente, nasceram um para o outro, são a metade de um todo. Mas será que o seu mundo fechado é assim tão perfeito? O principal problema prende-se com um grande segredo que Emily vai escondendo e o qual acaba por a consumir lentamente ao longo do tempo, até que o inicio da sua vida sexual com Chris faz transbordar a taça e, sentindo-se encurralada opta pela saída mais fácil, o suicídio, recusando-se a enfrentar os pais e Chris. Ao pedir de modo egoísta que Chris a ajude com o seu suicídio, Emily acaba por o colocar entre a espada e a parede, fazendo com que o “mundo prefeito” de Chris colidisse com o seu e este enfrentasse uma espécie de tempestade psicológica que irá culminar no acontecimento com o qual se inicia o livro e, para qual, o mesmo vai convergido de modo, por vezes lento, por vezes demasiado rápido.

Os pais de ambos vão lidar com o acontecimento de maneiras completamente diferentes, fruto das suas personalidades, dos seus modos de interpretar os acontecimentos, e da fé que possuem nos seus filhos.

O advogado de Chris, Jordan, foi a minha personagem favorita, antes do julgamento achava-o irritante e egocêntrico, durante o julgamento percebi que aquele homem foi feito para isso mesmo, para estar numa sala de tribunal defendendo o seu cliente, argumentando e contra-argumentando as testemunhas e factos apresentados pela acusação. O homem parecia feito para isso mesmo, e realmente o foi, mas o facto de o parecer tão naturalmente tornava tudo muito mais encantador.

Atenção: este é um livro forte, com temas polémicos, mas ao mesmo tempo a autora consegue expressar a sua mensagem de forma natural e convincente. A história aqui contada é muito mais profunda do que a resolução de um caso de suicídio ou homicídio, trata-se de muito mais. O pacto que o título da obra refere não é necessariamente um pacto de suicídio, mas sim um pacto para a vida.

A questão que coloco no fim desta leitura é simples e prende-se apenas com a minha própria reflexão ao ler este livro, não com as palavras da autora: Seria a relação entre Chris e Emily saudável sob o ponto de vista psicológico para ambos? Não me pareceu. No fim das contas, tratava-se de um amor carnal ou fraternal aquilo que ambos sentiam um pelo outro? Talvez Emily não sentisse o mesmo que o Chris, mas como era tão obcecada por ele não podia suportar viver sem ele, e aí pode ter residido outra das suas fontes de angústia, uma que não foi desenvolvida pela autora, mas que me parecia extremamente interessante.

Um excelente livro!

Sobre a autora:

Jodi Picoult
Jodi Picoult
Jodi Picoult nasceu e cresceu em Long Island. Estudou Inglês e escrita criativa na Universidade de Princeton e publicou dois contos na revista Seventeen enquanto ainda era estudante. O seu espírito realista e a necessidade de pagar a renda levaram Jodi Picoult a ter uma série de empregos diferentes depois de se formar: trabalhou numa correctora, foi copywriter numa agência de publicidade, trabalhou numa editora e foi professora de inglês. Aos 38 anos é autora de onze best sellers e em 2003 foi galardoada com o New England Bookseller Award for Fiction.

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