novembro 10, 2018

Tecnologia versus Humanidade, Gerd Leonhard | Opinião Livros

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Sinopse:
O futurólogo Gerd Leonhard abre novos caminhos juntando o desejo da Humanidade de melhorar e automatizar tudo à nossa busca intemporal de liberdade e felicidade. Antes que seja tarde, devemos parar e perguntar: como adoptar a tecnologia sem nos tornarmos nela? Quando ocorrer – primeiro de forma gradual, depois subitamente –, a era da máquina vai constituir o maior marco histórico da vida humana. Inteligência artificial. Computação cognitiva. Comida impressa. A Internet das coisas. A morte da privacidade. O fim do trabalho, tal como o conhecemos. A longevidade radical. Que valores morais está preparado para defender – antes de o ser humano perder o seu significado para sempre?
Gerd Leonhard fornece visões enriquecedoras e uma sabedoria profunda a líderes empresariais, a profissionais e a todos os que tenham de tomar decisões na nova era.

Opinião:

O que será da Humidade num futuro, não tão distante como aquilo que julgamos, devido ao poder crescente da tecnologia sobre as nossas vidas? É esta a grande questão que este livro pretende nos colocar.

Gerd Leonhard intitula-se como futurólogo (seja lá o que isso for) e oferece-nos a sua visão sobre o que será o futuro de todos nós com o crescente evoluir da tecnologia. A tecnologia cresce a um nível tão exponencial que começa gradualmente a fazer parte da nossa vida, entrando, literalmente, na maioria das nossas atividades diárias e a sua importância cresce de dia para dia. A grande preocupação do autor, que de resto deve ser uma preocupação de todos nós, é que passemos a servir as máquinas em vez delas nos servirem a nós e que nos tornemos máquinas numa luta desesperada para nos tornarmos tão produtivos e eficientes quanto elas.

Leonhard faz-nos um relato futurista sobre o destino da Humanidade, dando-lhe um ar de filme de ficção científica, mas na verdade tudo aponta para que o futuro da humanidade se venha a assemelhar àquilo que os autores de ficção científica têm vindo a prever à muitos anos. E esse mundo parece estar mais perto do que julgamos.

"O confronto futuro entre a Máquina e o Homem" é aquilo que o autor prevê, mas Gerd não é aquele autor que recusa a tecnologia na sua vida, pelo contrário ele entende a sua importância em muitos aspetos da nossa vida, mas ao mesmo tempo também consegue ver os inúmeros perigos que a tecnologia representa para a Humanidade. De acordo com o autor, devemos manter um equilíbrio entre homem e máquina e evitar que esse equilíbrio se venha a esbater ao longo do tempo e à medida que a tecnologia se vai tornando cada vez mais barata e fácil de adquirir.

As máquinas não têm ética, então cabe ao Homem adaptar e criar políticas para combater as questões éticas levantadas pelo uso cada vez mais obsessivo dos computadores por parte do Homem. Todas essas questões éticas devem levar à criação, segundo o autor, de um grupo internacional especializado nessas questões.

Concluindo, Tecnologia versus Humanidade é um livro bastante visionário e atual, que fala sobre uma realidade para a qual o Homem ainda não se mentalizou, mas que irá assumir uma importância cada vez maior sobre as nossas vidas, porque afinal as máquinas vieram para ficar e com elas a perda de parte da nossa Humanidade.


O melhor: O "abre-olhos" para questões ligadas à tecnologia extremamente importantes para o nosso futuro, geralmente esquecidas, na maior parte das vezes conscientemente ignoradas.

O menos bons: Algumas ideias ainda bastante utópicas já são consideradas como mais do que certas em 2020! O autor diz-se um futurólogo, mas não exageremos...
outubro 28, 2018

TOP 7 - Personagens de Elite

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À já algum tempo que não criava um TOP 7, desta vez vou falar um pouco sobre as personagens principais daquele que é um dos últimos grandes êxitos da Netflix, Elite, uma série espanhola com apenas oito episódios, mas que tem feito correr muita tinta. Elite possui nas suas fileiras três atores que participaram noutro grande êxito da Netflix que foi La Casa de Papel o que fez com que houvesse ainda mais alarido à sua volta.
Neste meu novo TOP 7, vou procurar falar um pouco sobre as sete personagens mais importantes da série, pelo menos para o desenrolar da primeira temporada de Elite, uma vez que a estreia muito aguardada da segunda temporada para o final do próximo ano irá certamente levar a várias mudanças na história até porque o principal mistério da primeira temporada é o assassinato da adolescente Marina já foi resolvido, pelo menos em parte...


1- Marina (María Pedraza)

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Filha de pais ricos e irmã de Guzmán com quem tem uma relação ao mesmo tempo de grande amor fraterno e grande conflito, Marina é uma jovem extremamente inteligente e rebelde que tudo faz para se revoltar contra os pais e tem um grande segredo que apenas estes e Guzmán conhecem.
A jovem entra num caminho autodestrutivo ao longo da série que culmina com o seu próprio assassinato, torna-se rapidamente amiga dos alunos bolseiros e ao longo da série envolve-se com Nano e Samuel, sendo a sua relação com Nano muito mais interessante, aliás a química entre dos dois atores (María Pedraza e Jaime Lorente) é inegável e ambos iniciaram um romance na vida real.
Marina é a personagem à volta da qual irão girar todas as outras personagens da trama. Brilhantemente interpretada María Pedraza, um dos nomes de Elite que participou em La Casa de Papel, no caso como Alison Parker. Ambas as personagens são no seu amago meninas ricas, mas o desenvolvimento de Marina foi sem dúvida muito mais enriquecedor para a jovem atriz do que a personagem Alison.


2- Nadia (Mina El Hamman)

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Filha de pais palestinianos e educada na fé muçulmana, Nadia é um dos alunos bolseiro que passam a frequentar o colégio privado de Las Encinas. Extremamente inteligente e perfecionista ambiciona ganhar o prémio que o colégio oferece ao melhor aluno, que inclui uma bolsa de estudo numa das mais prestigiadas universidades dos EUA para, como diz a própria, ser uma das pessoas que criam as leis, não apenas uma das pessoas que as cumprem.
Ao apanhar Guzmán e Lucrécia a fazer sexo nos vestiários da escola, o que pode fazer com que ambos sejam expulsos, torna-se num alvo para ambos, ainda mais quando usa esse trunfo para proteger Samuel.
Lucrécia incentiva Guzmán a seduzir Nadia e ridicularizá-la perante o colégio, mas as coisas não correm como esperado, pois ao contrário da impressão que nos passa no início, Guzmán tem mais escrúpulos do que Lucrécia e, após Nádia ser acidentalmente drogada numa festa em casa de Samuel, ele não tem coragem de se aproveitar da situação.
Ao longo de toda a série assistimos a uma química quase palpável entre Nadia e Guzmán, todavia eles não acabam juntos, apesar de claramente apaixonados. Um dos casais favoritos do publico, todos esperam que na segunda temporada eles possam finalmente ficar juntos, contudo, o caminho de ambos promete ser bem espinhoso devido a Lucrécia e ao pai de Nádia, um mulçumano ultraconservador que controla todos os aspetos da vida da filha e dos outros membros da família.


3- Guzmán (Miguel Bernardeau)

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Aquele personagem que começamos por odiar profundamente e que acabamos por amar ainda com mais intensidade, para mim a personagem masculina mais interessante de toda a série.
Guzmán é irmão de Marina, sendo esclarecido que foi adotado e que os seus pais biológicos eram toxicodepentendes que faleceram mais tarde de overdose. Guzmán odeia os alunos bolseiros e inferniza-lhes a vida, principalmente, a Samuel que sente aproximar-se demasiado da irmã e tem dois melhores amigos: Polo e Ander.
Ao longo da série vamos conhecendo as razões para o ódio desmedido de Guzmán para com os alunos bolseiros e vamos entender em parte as suas atitudes. Ele é um pouco violento quando perde o controlo, mas tem um lado bastante suave que podemos presenciar quando está com Nadia.
Guzmán tem uma amizade colorida com Lucrécia, mas após se aproximar de Nadia por interesse acaba por se apaixonar por ela e viver um amor impossível...


4- Nano (Jaime Lorente)

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Outro dos atores que veio de La Casa de Papel, Jamie Lorente tem aqui um papel mais desafiador, mas ao mesmo tempo com um passado semelhante a Denver, personagem que interpretou na série anterior.
Jaime Lorente é um excelente ator e o modo como dá vida a Nano deixa-nos hipnotizados, a importância do seu personagem vai crescendo ao longo da série, tendo no final um papel decisivo e o seu destino será provavelmente um dos pontos a desenvolver na segunda temporada da série.
Nano envolve-se com Marina, no início de modo casual, mas acaba por se apaixonar pela jovem, entrando em conflito com os seus próprios sentimentos e os sentimentos do irmão mais novo, Samuel, que adora e procura proteger.
Nano saiu recentemente da cadeia e devido ao seu passado de criminalidade relacionado com o mundo das drogas tem uma grande dívida, sendo perseguido por criminosos ao longo de grande parte da série ele tenta desperadamente ver se livre deles e só o consegue com a ajuda de Marina.


5- Samuel (Itzan Escamilla)

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A personagem mais chata de toda a história, Samuel é o irmão mais novo de Nano e melhor amigo de Omar, é um dos novos alunos bolseiros que estuda agora no colégio de elite Las Encinas.
Samuel é um rapaz introvertido que se apaixona por Marina, provavelmente, por esta ser a única aluna do colégio que é simpática para com ele, mas as coisas não correm como esperado e ver a frustração e sofrimento de Samuel no final série é a fase mais interessante deste personagem. Pessoalmente não gostei de Samuel, mas de certeza que houve que o achasse interessante.


6- Christian (Miguel Herrán)

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O último nome que veio diretamente de La Casa de Papel, é a Miguel Herrán que cabe a difícil tarefa de desiludir um pouco, mas talvez mais por culpa do guião do que do próprio. A sua personagem é a mais fraca da lista depois de Samuel, mas é também aquele ator de La Casa de Papel que possui a personagem mais distante do registo anterior.
Christian é o melhor amigo de Nano e também ele um dos novos alunos bolseiros do colégio, de personalidade fraca, ambiciona se tornar alguém importante e tenta forçar amizade com o alunos ricos do colégio, sendo ridicularizado por isso. Contudo, tudo muda quando Carla e Polo o utilizam como terceiro elemento no seu relacionamento, o fascínio que Carla exerce sobre ele faz com que Christian aceite os termos e a sua ambição cega faz com que cometa vários atos com os quais não concorda ou até que vão contra os seus próprios princípios, mas mesmo assim não deixa de seguir cegamente Carla e consequentemente Polo.
É a sua atitude no final da primeira temporada da série que mais nos choca e resta saber se Christian vai continuar a seguir este caminho ou vai tomar a atitude correta...


7- Carla (Ester Expósito)

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A personagem que mais nos surpreende ao longo da série. Carla é filha de uma marquesa que produz vinho de alta qualidade e o seu pai é sócio de negócios do pai de Marina e Guzmán.
Inicialmente passa a impressão de ser uma menina simpática e bem disposta que mantém um relacionamento de longa data com Polo, mas por detrás do seu lindo sorriso esconde-se uma jovem extremamente manipuladora e controladora.



Outras personagens



Lucrécia (Danna Paola)

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Filha de pais extremamente ricos e habituada a ter tudo aquilo que quer, Lucrécia é uma jovem sem escrúpulos e extremamente competitiva que tudo faz para conseguir aquilo que quer. Reconhecendo em Nadia uma rival nos estudos e no amor que sente por Guzman tudo fará para prejudicar a rival.

Ander (Arón Piper)

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Filho da diretora da escola e do professor de educação física, Ander é diferente dos outros colegas, não possuindo o alto estatuto de futuro líder e logo aceita facilmente os alunos bolseiros, funcionando no início como uma espécie de ponte entre estes e os outros alunos.
Um tenista reconhecido pelos seus inúmeros troféus que tem o pai como treinador, Ander não gosta do ténis, mas não consegue enfrentar o pai nesse aspeto.
Um dos melhores amigos de Guzmán juntamente com Polo, esconde destes o facto de ser homossexual e inicia uma relação clandestina com Omar, por quem se apaixona, mas apesar dos seus pais aceitarem a situação, a relação de ambos não será fácil devido ao conservadorismo rígido da família de Omar.

Omar (Omar Ayuso)

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Irmão mais velho de Nádia e melhor amigo de Samuel, começa a traficar drogas leves para ganhar dinheiro e assim poder sair de casa e escapar ao domínio de ferro do pai.
Omar ambiciona ser livre o poder viver do modo que quiser, é homossexual e inicia uma relação com Ander por quem se apaixona, mas não consegue revelar aos pais que é homossexual.

Polo (Álvaro Rico)

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O filho adotivo de um casal lésbico, as suas mães são dois tubarões do mundo da moda. É um dos melhores amigos de Guzmán e mantém um relacionamento de longa data com Carla, que começa a perder a chama.
Polo convence a namorada a trazer um terceiro elemento masculino para a relação, é aí que entra Christian, os três irão iniciar um tórrido triângulo amoroso que começará lentamente a desmoronar-se. 
outubro 25, 2018

A Rapariga no Nevoeiro, Donato Carrisi | Review Filme

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Dados Técnicos:
Título original: La Ragazza nella Nebbia
Realizador e argumentista: Donato Carrisi
País: Itália
Ano: 2017
Género: Crime, Thriller
Elenco: Toni Servillo, Alessio Boni, Jean Reno, Lorenzo Richelmy, Galatea Ranzi, Michela Cescon


Sinopse:
Um investigador descola-se até uma vila remota nas montanhas para investigar o desaparecimento de uma rapariga de dezasseis anos.

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A História

No filme A Rapariga no  Nevoeiro um detetive pouco convencional tenta desvendar o mistério por detrás do desaparecimento de Anna Lou, uma jovem de 16 anos, ocorrido perto do Natal, no dia 23 de dezembro.

O Inspetor Vogel, encarregado do caso, ver-se-á enveredado por uma espécie de teoria conspirada em parte pelo criminoso responsável pelo desaparecimento da jovem e em parte pelo próprio, cujo desfecho surpreendente só podia vir da mente de um grande escritor de policiais da atualidade que é Donato Carrisi, o autor/argumentista e realizador da obra.

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Os pais de Anna Lou buscam desesperadamente pela filha desaparecida.

Estamos perante uma obra de investigação policial italiana que em nada fica atrás dos seus congéneres norte-americanos. Um mistério bem construído com um volte face de algum modo previsível para quem está habituado a assistir a este tipo de obras, mas garantidamente bem construído. Só gostava de ter assistido a uma ou outra cena que ficaram de algum modo subentendias no final do filme e que sem dúvida teriam garantido mais suspense e adrenalina ao espetador.

As Personagens


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Toni Servillo é o Inspetor Vogel.
O Inspetor Vogel não é um protagonista vulgar, não sendo aquele herói que desde o início do filme aprendemos a admirar e respeitar, pelo contrário, ao longo da história a imagem que tínhamos dele vai se declinando com as suas atitudes pouco corretas. Trata-se de um homem por demais ambíguo e com atitudes muito pouco corretas para um policia, o que não quer dizer que os seus instintos sejam errados, apenas que usa os métodos errados para pegar os criminosos e que tudo isso iria acabar por se virar contra ele mais cedo ou mais tarde, é como costumam dizer "the karma is a bitch"...


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Alessio Boni é o Prof. Loris Martini.
O Professor Martini é uma personagem que surge mais para o meio da história, mas a sua importância é tão central que tenho que falar sobre este homem que acaba como principal suspeito do desaparecimento de Anna Lou. Todos os indícios apontam para ele, mas são tão circunstanciais que nem mesmo Vogel consegue reunir as provas necessárias para incrimina-lo, tendo que recorrer aos seus modos politicamente incorretos, nomeadamente, com recurso à comunicação social com a toda a sua teia de intrigas e ainda à manipulação de provas.

O Professor Martini mudou-se com a esposa e a filha para uma vila remota nas montanhas com poucos habitantes e uma comunidade ultraconservadora, em principio julgamos ser pelo seu trabalho enquanto professor nessa vila, mas depressa descobrimos que a sua esposa o traiu e que apesar dele a ter perdoado, eles tiveram que se mudar para tentar seguir com a vida em comum. Para continuar com ele a sua esposa abdicou de uma carreira como advogada e a filha abandonou os amigos contra a sua vontade, então a situação em casa do Professor Martini não é a melhor e em cima disso tudo vem a suspeita de homicídio...



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Jean Reno é Agusto Flores.
O Psiquiatra Flores é uma personagem interpretada pelo talentoso Jean Reno, ator francês que já participou em inúmeros filmes de Hollywood muitas vezes como vilão, e que tem aqui uma personagem diferente, mas, contrariamente ao que nos fazem crer, de extrema importância para o desenrolar da história.

A conversa entre Vogel e Flores será o combustível narrativo de toda esta trama de crime e mistério, é no diálogo entre os dois que o espetador se irá fixar para aguardar ansiosamente a confissão acerca da identidade do verdadeiro assassino de Anna Lou.





Conclusões

A principal razão porque assisti a este filme foi Donato Carrisi, li um livro dele à algum tempo, Sopro do Mal, que adorei e considero uma grande obra dentro do género policial. A Rapariga no Nevoeiro também partiu de um livro do escritor e mesmo não estando ao nível do primeiro traz-nos uma boa história com um mistério denso e uma reviravolta bem conseguida.

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A conversa entre Vogel e Flores irá conduzir todo o filme.

Como ponto negativo destaco apenas a demora no desenrolar do enredo em alguns pontos e a pressa noutros, o que torna o filme um pouco maçador e menos interessante do que podia ter sido dado o grande potencial da obra.

Concluindo, A Rapariga no Nevoeiro é um bom filme com uma qualidade que em nada fica atrás de muitas obras do género produzidas nos EUA. Afinal, em Itália também se fazem bons filmes de investigação que merecem ser assistidos, apesar de não possuírem uma grande divulgação fora de portas.

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É o desaparecimente de Anna Lou que dá início a uma grande história de investigação.

O melhor: A atmosfera de mistério que envolve não só o desaparecimento de Anna Lou, mas também toda a vila.

O menos bom: O arrastar desnecessário de algumas partes do enredo e a falta de outras que podiam ter ajudado a desenvolver a história. Enfim, uma questão de prioridades...
outubro 20, 2018

Elite, Netflix | Opinião Séries

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Título original: Élite
Criadores: Dario Madrona, Carlos Montero
País: Espanha
Ano: 2018
Género: Crime, Drama, Thriller
Elenco: Danna Paola, Miguel Herrán, María Pedraza, Itzan Escamilla, Miguel Bernardeau, Jamie Lorente, Álvaro Rico, Arón Piper, Mina El Hammani, Ester Expósito, Omar Ayuso


Sinopse:
Quando três estudantes de classe média passam a frequentar um dos colégios privados mais caros de Espanha devido a ganharem uma bolsa de estudo, o choque entre eles e os alunos mais ricos leva a um misterioso homicídio (fonte: Netflix).

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Opinião:
Hoje venho vos falar de uma série que é o mais recente sucesso da Netflix, a série espanhola EliteEsta série entrou nas bocas do mundo e era aguarda com alguma expetativa por ser protagonizada por três dos atores de La Casa de Papel, anterior sucesso da Netflix, são eles Miguel Herrán, Jamie Lorente e María Pedraza, que interpretavam respetivamente, Rio, Denver e Alison Parker. 

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Jamie Lorente, María Pedraza e Miguel Herrán (da esquerda para a direita) são os atores de La Casa de Papel que entram em Elite.

Elite é sobre um grupo de alunos de um colégio privado frequentado pelos filhos dos mais ricos do país. A chegada de três alunos da classe média, depois da sua escola ter sido destruída e a construtora responsável ter pago as suas bolsas, vem destabilizar o frágil equilíbrio que já reina nessa escola, depois de um grave problema com um aluno bolseiro no passado ter deixado mazelas psicológicas em vários alunos, nomeadamente, em Marina e no seu irmão Guzmán.

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Os filhos dos mais ricos de Las Encinas.

Samuel, Nádia e Christian são os três novos alunos do colégio privado Las Encinas, chegaram a meio do ano letivo e têm contra eles o facto de não serem ricos. Assim no meio de desconfianças, rivalidades, paixões, preconceitos, xenofobia e bullying vamos tentando descobrir quem foi o assassino de Marina, uma das personagens que move toda a trama brilhantemente interpretada pela atriz María Pedraza que já tinha dado indícios de grande talento em La Casa de Papel, apesar do papel mais secundário enquanto a refém Alison Parker.

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María Pedraza é Marina, personagem central de Elite.

Ao longo de todos os oito episódios de Elite temos um mistério que nos prende do início ao fim. Quem foi o assassino da jovem Marina? Mas existem muitos outros conflitos e problemas a serem abordados ao longo de todos os episódios, nomeadamente, homossexualidade, intolerância religiosa, Sida/HIV, Ménage à trois, tráfico de droga, gravidez na adolescência, corrupção corporativa e muitos outros conflitos que apesar de não serem particularmente aprofundados são bastante explorados e temos até várias pontas soltas que poderão ser usadas na próxima temporada sem que Elite perca de maneira nenhuma o ritmo e a qualidade, mesmo sem Marina que apenas poderá voltar em flashbacks.

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O preconceito dos alunos ricos para com o bolseiros é visível ao longo de toda a série, principalmente para com Samuel que trabalha como empregado de mesa num restaurante que frequentam.

Relativamente, às relações que vemos crescer nesta primeira temporada, a maior química é sem dúvida entre Nádia e Guzmán, apesar da sua relação não se ter aprofundado de maneira nenhuma, espero que na segunda temporada estes dois jovens se possam acertar. Contudo, as coisas parecem ter ficado bem complicadas para o casal no final da temporada, e enquanto que era Nádia a reticente na primeira temporada, na próxima temporada as reticências irão estar do lado de Guzmán, pelo menos no início. Mas quem não gosta de ver um romance proibido dar certo?

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Nádia e Guzman, o casalinho por quem todos suspiramos.

Por outro lado, temos o casal homossexual da história, Andrés e Omar têm contra si a família mulçumana ultraconservadora de Omar, tal como Nádia (irmã de Omar) e Guzmán. Tenho a certeza que a segunda temporada irá continuar a retratar as dificuldades que ambos irão enfrentar por se amarem.

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Andrés e Omar, outros do casalinhos mais carismáticos da série.

Todas as personagens de Elite estão de facto bem desenvolvidas e a sua evolução fase aos acontecimentos da primeira temporada foi palpável com o último episódio. Contudo, Samuel, o suposto protagonista à primeira vista, foi de todas a personagem mais insonsa da série, faltou algum carisma ao ator e não faria mal se ele viesse a perder algum relevância para o futuro de Elite, mas reconheço que o seu papel poderá ser ainda mais importante na segunda temporada. Acho que vou ter que dar-lhe o benefício da dúvida e esperar que o jovem ator melhore a sua performance.

Jamie Lorente é um ator genial, foi o meu preferido de La Casa de Papel, onde a sua relação com o pai serviu de equilíbrio entre o seu passado de criminalidade e a sua personalidade amigável e de algum modo fofa, em Elite interpretou um personagem mais duro, Nano também estava marcado pela criminalidade e o seu passado perseguiu-o implacavelmente quando saiu da prisão, mas também Nano mostrou um lado amigável e mais integro que muitos dos personagens da história. Gostava que o personagem de Jamie Lorente se tivesse afastado mais do registo de La Casa Papel, mas ele é excelente no que faz por isso não tenho nada a reclamar.

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Jamie Lorente é o bad boy que nos cativa sempre.

Destaco ainda a atuação de Miguel Bernardeau, a sua personagem Guzmán era detastável no início da série, mas todos os fãs de Elite acabaram a primeira temporada a adorá-lo e a desejar vê-lo com mais destaque na segunda temporada. E a ver ele a Nádia juntos e felizes no final da sua história de amor que se adivinha bastante difícil e espinhosa...

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Guzmán, a personagem que começamos por odiar, mas que acabamos a amar!

Concluindo, adorei esta nova série da Netflix e aguardo ansiosamente a segunda temporada,  já confirmada. Depois do mega sucesso que foi La Casa de Papel, a jogada de génio da Netflix de aproveitar alguns dos talentos da série e fazer uma nova série espanhola noutro registo foi extremamente bem sucedida.

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Os bolseiros acompanhados por Andrés (à direita).

O melhor: A química palpável entre Nádia e Guzmán.

O menos bom: A personalidade sonsa e irritante de Samuel.
outubro 13, 2018

Clássicos da Literatura | A Metamorfose, Franz Kafka

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Sinopse:
"Prestemos atenção ao estilo de Kafka. Na sua claridade, no seu tom preciso e formal, em agudo contraste com o assunto tenebroso do conto. Não há metáforas poéticas a adornar esta severa história a preto-e-branco. A nitidez do seu estilo sublinha a riqueza perversa da sua fantasia. Contraste e unidade, estilo e assunto, trama e forma, alcançam aqui uma coesão perfeita." do prefácio de Nabokov.


Um clássico incontornável da literatura, A Metamorfose de Frank Kafka pode ser considerado uma novela, mas apesar de pequena em tamanho, a sua história não deixa de ser profundamente tocante e longamente meditativa. Estamos perante uma história insólita, George Samsa, um jovem caixeiro-viajante, acorda numa manhã e descobre-se transformado num monstruoso inseto, a partir daí a sua vida nunca mais será a mesma.

Um livro mais arrepiante na mensagem do que na história em si, A Metamorfose leva-nos a conhecer a mente de um homem que externamente perdeu todos os seus indícios de humanidade, mas por dentro, contra aquilo que os outros pensam, continua a ser tão humano quanto qualquer um de nós.

A história de Gregor Samsa é profundamente triste e ao mesmo tempo marcante. O facto dele ter deixado de ter qualquer utilidade para a família que até então era exclusivamente sustentada por ele e assim ter sido continuamente desprezado e negligenciado é muito triste e até revoltante.

Gregor suportava um trabalho que detestava para prover a sua família e pagar as dívidas dos pais, mas a partir do momento em que se transformou num inseto deixou de ter qualquer utilidade e passou a ser cada vez mais desprezado pela família. Até que a negligência sucessiva a que foi sujeito conduziu à sua trágica e solitária morte.

As obsessões de Gregor são arrepiantes desde a sua obsessão em ir para o trabalho, apesar de ter acordado transformado num monstruoso inseto, até à sua constante desculpabilização do modo como é tratado pela família e ao modo tristemente revoltante como ainda continua a fazer planos para provir a família de todas as regalias que a provia até então e de enviar a sua irmã mais nova para o conservatório, apesar do modo completamente desumano como é continuamente tratado até à sua morte que é vista como um alivio para a família.

A Metamorfose é uma história que nos prende mesmo depois de lermos o livro, porque não conseguimos deixar de pensar nela e no destino de Gregor Samsa. Além disso trata-se de uma história, apesar de escrita no início do século XX, bastante atual. Uma vez que Gregor Samsa representa o homem moderno na sua luta diária com a rotina, isto até ao dia em que algo irremediável o força a parar e deixar tudo isso de lado.

Nesta versão destaco o prefácio de Vladimir Nabokov, autor de Lolita, que nos brinda com as suas próprias ilações sobre a obra e nos faz prestar atenção em pontos que de outro modo até eram capazes de nos passar ao lado.

Capa do livro A Metamorfose com prefácio de Vladimir Nabokov.

Franz Kafka pode ter falecido de uma doença muito dolorosa e debilitante (turberculose da laringe) com apenas 42 anos de idade, mas tal facto não o impediu de nos presentear com obras de imensa qualidade como neste caso A Metamorfose e a sua obra ainda mais conhecida, O Processo, que faço tensões de ler em breve.



Franz Kafka nasceu em 1883, em Praga, numa família da média burguesia judia de expressão alemã. Tendo concluído os estudos jurídicos com o título de Doutor em Direito em 1906, começou dois anos depois a revelar os seus primeiros textos em revistas literárias. A Metamorfose, novela que viria a afirmar-se como uma das suas obras de referência, foi publicada em 1915. Publicou em vida apenas sete pequenos livros, três deles antologias de textos e contos. A 3 de junho de 1924, não resistindo à tuberculose que havia contraído em 1917, morreu num sanatório em Kierling, a poucos quilómetros de Viena, deixando três romances fragmentários que seriam publicados postumamente pelo seu amigo e testamenteiro Max Brod: O Processo (1925), O Castelo (1926) e América (1927). A sua obra, centrada no homem solitário moderno, refém de uma vida absurda, tornar-se-ia uma das mais influentes do mundo literário do século XX.
outubro 08, 2018

Trilogia Castles Ever After, Tessa Dare

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Tessa Dare é uma das minhas autoras favoritas e figura, inclusive, no meu Top 7 - Escritoras Favoritas. Tudo começou quando coloquei os olhos no seu livro Romance com o Duque, o primeiro da trilogia Castles Ever After. Trilogia sobre a qual vou falar neste post.

A trilogia Castles Ever After é uma série de três de livros que nos conta três belas histórias de amor  que têm em comum ocorrerem num castelo. Apesar de se tratar de uma série, cada um dos livros pode ser lido em separado sem prejuízo para a história. Vou falar sobre cada um desses livros neste post e procurar explicar porque sou fã desta série e, consequentemente, de Tessa Dare.





1 - Romance com o Duque

Sinopse:
Uma donzela perdida, um castelo misterioso, um duque com um temperamento e um passado um pouco… Complicados. O cenário perfeito para um amor improvável.
Como filha de um afamado escritor, Isolde Ophelia Goodnight, também conhecida por Izzy, cresceu em redor de românticos contos de cavaleiros corajosos e belas donzelas. As histórias daqueles livros prometiam inúmeras possibilidades. E por isso mesmo nunca duvidou de que o romance teria lugar também na sua vida.
À medida que foi crescendo, porém, foi riscando essas possibilidades da lista. Uma a uma:
O patinho feio que se tornou cisne. 
Ser raptada por um atraente salteador de estrada. 
Ser salva da miséria por um príncipe encantado. 
Alto lá… Agora que os seus desejos de amor romântico se haviam gorado, Izzy já estava resignada a uma vida de mera subsistência. Mas havia um conto de fadas predestinado a esta mulher de vinte e seis anos, não tão atraente quanto isso, pobre e que nunca fora beijada. Esse conto de fadas era... Este.




Este livro dá-nos a conhecer uma história leve e divertida, acerca de um amor realmente digno de um conto de fadas. Os ingredientes estão cá todos, uma futura princesa que é uma rapariga trabalhadora, sonhadora e acima de tudo otimista, mesmo perante as contrariedades da vida; um príncipe belo e rico, mas ferido físicamente e emocionalmente, logo a necessitar urgentemente de ser salvo pela nossa princesa e, um castelo, apenas a precisar de (muitas) obras de melhoramento.

A escrita da autora é bastante simples e acessível. Várias foram as situações em que dei por mim a rir sozinha, principalmente, na altura em que o Ransom tentava correr com a Izzy do seu castelo, algo que ela se recusava terminantemente a fazer, revelando-se uma autêntica mulher de armas, as outras situações caricatas envolviam, quase sempre, o invulgar e feroz animal de estimação da Izzy e os fãs excêntricos dos contos das Boas Noites, depois de ler o livro é que poderão perceber de que contos é que estou a falar. Outra personagem divertida foi a filha do vigário, Abigail, que escapou completamente ao velho cliché de tentar empastelar um falso triângulo amoroso numa história para a tornar mais longa, o que costuma acontecer com relativa frequência.

No fim é revelado um segredo inesperado sobre a Izzy. Algumas pessoas poderão dizer que já suspeitavam mas eu nem tinha pensado no assunto, por isso fui realmente surpreendida. Quanto ao final da história achei um bocado forçado, na minha opinião a autora poderia ter encontrado uma solução mais consistente para solucionar toda aquela confusão.

Concluindo, trata-se de um livro divertido que se lê num instante, com situações bastante cómicas e invulgares, principalmente, para a época em que ocorrem e uma mensagem muito bonita sobre o amor e o poder dos nossos sonhos. Por tudo isto não poderia deixar de recomendar esta leitura. Esta foi a primeira obra de Tessa Dare que tive o prazer de ler, a autora ganhou aqui uma nova fã.

O melhor: A personalidade da protagonista feminina.

O menos bom: O final demasiado apressado depois de todos os precalços que aconteceram com os protagonistas.



2- A Noiva do Marquês


Sinopse:
Ela tinha tudo o que uma donzela da sua posição podia querer: era linda e estava noiva do solteiro mais cobiçado da cidade. Um longo e desesperante noivado, porém, levou-a a querer romper o compromisso e a tomar as rédeas da sua vida.
Clio Whitmore está noiva do Marquês de Granville há oito anos, mas ele está sempre ausente no estrangeiro, levando-a ao desespero por não se sentir desejada. Quando Clio herda um castelo que lhe proporciona independência financeira, decide romper o noivado e iniciar uma nova vida.
Para tal, ela terá de convencer Rafe, irmão e procurador do Marquês, a aceitar o fim do noivado. Mas Rafe tem planos para a fazer mudar de ideias, organizando-lhe um casamento de sonho...
Ele começa com flores. Um casamento nunca tem flores suficientes... Ele diz-lhe que ela dará uma belíssima noiva? e tenta não imaginá-la como sua.
Como conseguirá Rafe convencer Clio a casar-se sem se deixar vencer pelos sentimentos que crescem dentro dele, e que são a cada dia mais fortes?
Ele não irá apaixonar-se pela única mulher que nunca poderá beijar nem dizer ser sua. Ou irá?



Desde que me tornei fã de Tessa Dare, ao ler o seu encantador Romance com o Duque, que estava bastante ansiosa para ler o segundo volume da série Castles Ever After, aliás, para ler toda a série. Neste 2º volume, temos, mais uma vez, todos os ingredientes que permitem à autora criar um autêntico conto de fadas, capaz de encantar os corações mais derretidos e não só: uma “bela adormecida” (durante oito anos), um “príncipe” e um castelo.

Clio está noiva, mas espera pelo noivo há oito longos anos. Uma espera longa, que abalou fortemente a sua autoestima e confiança em si mesma. A situação é tão insólita que a alta sociedade acabou por elegê-la como alvo perfeito de chacota e apostas ridículas. Contudo, tudo muda quando Clio recebe uma herança especial, um magnífico castelo no Kent, que lhe permitirá adquirir a sua própria independência e viver nos seus próprios termos. Mas, para tal, Clio necessita primeiro de desfazer o seu noivado. É nestes termos que procura Rafe, irmão do noivo e também seu procurador, com quem cresceu e por quem sempre nutriu um profundo carinho e admiração. A relutância de Rafe em aceitar o fim do noivado entre Clio e o irmão levará ambos a uma convivência forçada que conduzirá, inevitavelmente , a inúmeros conflitos, mas também ao despertar e crescer de sentimentos mais fortes entre ambos.

O maior ponto a favor deste livro é, sem dúvida, o caráter forte da sua protagonista. Uma jovem que, numa época em que as mulheres pouco mais eram do que meros adereços, dispõe-se a traçar o seu próprio futuro. Clio sabe exatamente aquilo que quer e luta por isso.

O protagonista masculino, Rafe é, no seu modo muito próprio, encantador. Forte e rude por fora, no interior esconde uma alma solitária e desejosa de afeto. Foi campeão de pesos pesados de Inglaterra durante quatro anos, mas, no seu íntimo, tem uma enorme insegurança, devido à sua infância rebelde e carente de afetos.

Da fila impressionante de personagens secundárias excêntricas que nos são apresentadas, os meus preferidos são Ellingworth, um velho e feio buldogue inglês cheio de vontades e carisma, que nos presenteou com momentos hilariantes ao longo de toda a história; Phoebe, a irmã estranha e ao mesmo tempo especial de Clio e Bruiser, o treinador versátil e cómico de Rafe.

Este livro seguiu o tom divertido do anterior, mas apresentou uma maior complexidade em relação à personalidade e aos conflitos internos dos protagonistas e, talvez por isso, ostentou, por vezes, um tom mais dramático e lento em algumas partes. Mas não deixa de ser uma obra leve e descomprometida , que nos proporciona bons momentos.

A escrita da autora mantém-se acessível, simples, irónica e muito divertida, obrigando a uma leitura compulsiva, num rápido desfolhar de páginas. Adoro quando um livro nos conquista deste modo.

O melhor: O carácter forte da sua protagonista.

O menos bom: A irritante relutância de Rafe em assumir os seus sentimentos por Clio.



3- A Prometida do Capitão


Sinopse:
Maddie é bonita e talentosa, pelo que todos esperam que ela se case em breve. Mas Maddie é muito tímida em relação aos homens, além de ter um medo terrível de espaços públicos e multidões.
Para se livrar de ter de ir a festas e ser cortejada, ela inventa um noivo imaginário: um capitão escocês de nome MacKenzie, muito apaixonado e dedicado, a quem escreve cartas onde revela os seus mais íntimos desejos e anseios. Aproveitando as prolongadas ausências do capitão, que vive convenientemente longe por causa da guerra, Maddie vai conseguindo escapar à pressão de se apresentar à sociedade.
Anos depois, porém, o inimaginável acontece: o capitão, produto da sua imaginação, aparece-lhe em carne e osso. Este capitão Logan MacKenzie é um soldado atraente, mas rude e selvagem. E o pior de tudo é que tem na sua posse as cartas de Maddie, aquelas que ela escreveu ao seu noivo fictício, e que contêm segredos inconfessáveis. Agora, o capitão pretende fazê-la cumprir todas as promessas que ela lhe fez e que nunca esperou ter de concretizar…




Madeline, Maddie para os amigos, é um jovem inglesa que para evitar ter que estar entre multidões (ela possui uma fobia já antiga) inventa um noivo escocês. Mas não um noivo qualquer, e sim um tal de Capitão Logan MacKenzie, um noivo perfeito que ela conheceu numas férias, apaixonaram-se e, logo a seguir, ele teve que partir para a guerra. A sua mentira é sustentada através das cartas que a jovem escreve e coloca no correio para o seu suposto noivo e pelas cartas que ela própria escreve para si própria em nome dele. Madeline sustenta esta mentira durante anos, até que inventa a morte do noivo para se ver livre das suas próprias mentiras. O problema? Talvez o Capitão Logan MacKenzie não seja um homem fictício e sim um homem verdadeiro de carne e osso e sentimentos escondidos, que algures no campo de batalha recebe as cartas de uma jovem inglesa que, de algum modo, lhe dão uma espécie de alento.

Alguns anos mais tarde, Logan aparece à porta de Madeline usando os suas cartas para a forçar a casar com ele. Logan tem os seus próprios motivos para querer este casamento. Um homem que passou 10 anos na guerra e que regressado a casa com um pequeno grupo de soldados sem família sente o peso da responsabilidade em cima dos seus ombros de ter que ajudar os seus homens a recuperar um pouco da dignidade que a guerra lhes roubou para além das suas famílias. Assim, procurando desesperadamente uma casa para os seus homens, ele acaba por recorrer ao seu grande trunfo, Madeline, a sua suposta noiva inglesa que herdou um castelo na Escócia. Algumas das atitudes de Logan não foram as mais corretas, mas sem essas mesmas atitudes os nossos dois protagonistas não se teriam conhecido.

A Prometida do Capitão conta-nos uma história de amor loucamente divertida que nos encanta pela sua linda mensagem de amor e destino. Daquelas que nos garantem muitas risadas e situações, por vezes, completamente inusitadas. As grandes peripécias deste livro envolvem uma lagosta chamada Fluffy (sim uma lagosta), a tia Thea e os seus remédios caseiros um pouco perigosos (afastem-se deles) e os soldados que pertenceram ao batalhão de Logan.

No entanto, se for comparar este livro aos outros da trilogia, este foi aquele de que menos gostei. Por alguma razão, não o achei tão mágico como os outros e houve momentos que o achei um pouco maçador. Em poucas páginas já prevíamos todo o rumo dos acontecimentos, tirando o final que conseguiu me surpreender de algum modo.

Trata-se de um bom livro, principalmente, para quem adora romances históricos como eu, sendo a escrita de Tessa Dare, simples e fluida, um dos pontos mais fortes deste livro. A história também é bastante original, não faço ideia de onde a autora vai buscar estas ideias tão rocambolescas, mas aprovo a 100%.

Tessa Dare cria sempre mulheres independentes e talentosas, mas os seus protagonistas masculinos sofrem sempre algum tipo de trauma que os torna um pouco idiotas no inicio da história, mas como é óbvio estes acabam sempre por se redimir.

O melhor: O cenário, um belo castelo na Escócia.

O menos bom: Algumas das atitudes do protagonista masculino.
outubro 05, 2018

Um Casamento Conveniente, Tessa Dare | Opinião Livros

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Capa-livro-Um-Casamente-Conveniente-Tessa-Dare

Da autora romântica bestseller que conquistou as leitoras portuguesas
Vencedora do Prémio RITA para Melhor Romance Histórico


Objetivo número um: ter um herdeiro.
Desde que o Duque de Ashbury regressou da guerra com o rosto desfigurado, a única coisa que o move é deambular pela cidade de Londres durante a noite e assustar todos com quem se cruza. Só que agora tem um problema: precisa de um herdeiro.

Objetivo número dois: casar. Mas com regras bem definidas.
Quando Emma Gladstone, uma simples costureira, aparece em casa de Ashbury para lhe exigir um pagamento em dívida, este aproveita a ocasião e faz-lhe uma proposta de casamento. Mas impõe certas condições: deverão encontrar-se sempre às escuras, e apenas para conceberem um filho. Assim que Emma engravidar, deverá partir para o campo, e nunca mais se voltarão a ver.

Objetivo número três: não quebrar nenhuma das regras anteriores.
Ashbury e Emma casam-se. Emma, porém, é uma mulher determinada e também tem as suas próprias regras. E a principal é conhecer o marido. Permitirá Ashbury que Emma o veja realmente? E conseguirá ele impedi-la de se apaixonar?


Sou uma grande fã de Tessa Dare, autora que figura, inclusive, no meu humilde TOP 7 - Escritoras Favoritas. Esta grande autora de romances históricos tem o dom de criar histórias incrivelmente românticas e divertidas, com cenas hilárias, heroínas corajosas e heróis atormentados que afinal têm um coração de ouro.

Neste novo livro, Um Casamento Conveniente, é nos contada a improvável história de amor entre Emma, uma pobre costureira e Ash, um Duque que sofreu um grave ferimento de guerra e que, por isso, vive recluso na sua própria casa, mas a visita de Emma será o mote para um casamento conveniente que acabará por se tornar muito mais complicado do que ele alguma vez poderia pensar ser possível.

Aquilo que mais salta à vista neste livro são os seus protagonistas, duas personagens fortes que acabam por se revelar perfeitos um para o outro com todas as suas imperfeições. Emma é uma jovem corajosa que vai até casa do duque para exigir o pagamento de um vestido de noiva que ela havia feito para a ex-noiva do duque e acaba por sair de lá com uma proposta de casamento nada romântica diga-se de passagem. Ash é um homem poderoso que perdeu os pais quando ainda era uma criança e que se viu desfigurado pela guerra e abandonado pela noiva, a sua urgência em produzir um herdeiro para evitar que as suas propriedades caiam nas mãos do primo que ele considera um esbanjador e um crápula, leva-o a fazer uma proposta de casamento a Emma, a primeira mulher que não mostra horror ao ver o seu rosto desfigurado... A relação entre ambos pode começar de modo muito pouco romântico e desprovido de qualquer tipo de sentimentos, mas o seu evoluir nada terá de pouco sentimental. O crescimento dos seus sentimentos um pelo outro será o ponto mais emocionante do livro e o evoluir da sua relação será sem dúvida o ponto mais forte deste livro.

Podemos estar perante uma história por demais cliché, com um enredo previsível e um final pouco original, mas também estamos perante um livro leve, divertido e com uma história que apesar de tudo consegue marcar pela diferença devido ao enorme talento da autora. Tessa Dare consegue criar algo diferente do mesmo, a sua escrita revela-se mágica e fluida, os seus personagens, apesar das situações por deveras caricatas, revelam-se incrivelmente reais com os seus traumas do passado, os seus medos para o futuro e as suas incertezas perante o presente.

Concluindo, estamos perante mais um livro de romance histórico que nos faz sonhar com um romance cor-de-rosa entre duas personagens carismáticas e, ao mesmo tempo, aprender algumas coisas sobre como era a vida dos aristocratas naquele tempo. É sempre bom ler um livro de romance histórico de qualidade, mesmo que à partida não haja surpresas quanto ao final da história e confesso que é pelos finais felizes que mais aprecio este tipo de obras.

O melhor: Ver o evoluir da relação entre Emma e Ash.

O menos bom: De momento não me ocorre nada.



Tessa-Dare
Tessa Dare é uma autora norte-americana bestseller do New York Times e do USA Today. Os seus
livros têm sido alvo de inúmeros elogios e prémios, incluindo o Prémio RITA para Melhor Romance Histórico, atribuído pela Associação Americana de Escritores de Romance, e prémios da revista RT Book Reviews.
A revista Booklist nomeou-a «uma das novas estrelas do romance histórico» e os seus livros já foram traduzidos para mais de 12 línguas.
Bibliotecária de formação e amante de livros, Tessa Dare vive na Califórnia com o marido, os dois filhos e dois gatos.
Saiba mais sobre a autora em www.tessadare.com.
outubro 01, 2018

Just Wright | Opinião Filmes

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Poster-filme-Just-Wright

Dados Técnicos:
Título original: Just Wright
Diretor: Sanaa Hamri
País: EUA
Ano: 2010
Género: Comédia, Romance, Desporto
Elenco: Queen Latifah, Common, Paula Patton, James Pickens Jr., Phylicia Rashad, Pam Grier, Laz Alonso, Mehcad Brooks, Michael Landes, Dwight Howard, Dwyane Wade
IMDb: https://www.imdb.com/title/tt1407061/

Sinopse:
Uma fisioterapeuta com bom coração tem dificuldade em encontrar o amor, até que um dia conhece um jogador profissional de basquetebol lesionado. (Fonte: Netflix)

Opinião:

De vez em quando sabe bem assistir a uma comédia romântica daquelas bem fofinhas e divertidas como Just Wright com Queen Latifah e Common como casal de protagonistas. Uma comédia romântica com todos os ingredientes na dose certa.

Cena-filme-Just-Wright
Leslie é convidada para o aniversário de Scott e leva a prima Morgan.

A história gira à volta de Leslie uma fisioterapeuta com um grande coração, mas com azar no amor. Após mais um encontro que se revelou um fracasso, ela conhece pessoalmente o seu ídolo, Scott McKnight, um basquetebolista famoso da NBA que acaba por a convidar para a sua festa de aniversário. É aqui que as coisas se complicam, porque acho que se ela tivesse ido sozinha à festa, em vez de levar consigo a interesseira da prima que se aproveitou das informações que Leslie lhe forneceu sobre Scott, as coisas podiam ter sido bem diferentes, mas não, ela leva Morgan que se aproveita da situação para conquistar Scott com a sua dissimulação, agora o modo como ele caiu facilmente na teia dela não percebo, afinal ele é uma estrela da NBA que supostamente tem as mulheres todas as seus pés.

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Momento no qual Scott é enfeitiçado por Morgan para desgosto de Leslie.

Scott e Morgan ficam noivos em tempo record. No entanto, após uma lesão bastante grave que ocorre logo de seguida, Scott tem que lidar com uma recuperação bastante lenta, dolorosa e incerta. Morgan pede a Leslie que ajude Scott, visto que ela é uma boa fisioterapeuta, mas acaba por abandoná-lo sem dizer uma palavra à prima. Mas Leslie não desiste de Scott e está com ele ao longo de todo o caminho de recuperação. À medida que o casal vai convivendo diariamente e descobre ter imensas coisas em comum, a sua relação vai-se aprofundando até que se apaixonam um pelo outro. Todavia, quando Scott está 100% recuperado surge Morgan... E Leslie vai embora. E agora? Será que Scott vai cair em si e descobrir que Morgan não é a mulher que ele pensa e Leslie é a mulher que ele precisa? Vamos ver.

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Scott McKnight em ação.

Queen Latifah é Leslie e, como sempre, ela consegue fazer passar os sentimentos da personagem, tornando-a real e admirável. Leslie é uma mulher batalhadora com uma grande carreira que não abdica nunca dos seus ideais em prol de interesses, ao contrário da prima, cujo sonho é casar com um jogador da NBA que a sustente.

Common-filme-Just-Wright
Common interpreta Scott McKnight, um brilhante jogador da NBA.

Common é Scott McKnight, um brilhante jogador de basquetebol que praticamente tem levado a sua equipa às costas ao longo da temporada. Contudo, uma grave lesão afasta-o do campo e o coloca num profundo estado de melancolia, um estado do qual apenas Leslie o consegue resgatar. Mas até que ele veja que a mulher da sua vida está mesmo ali vai ser preciso correr muita tinta... Paula Patton também está ótima no papel da irritante Morgan Alexander que não é propriamente uma vilã devido ao seu jeito engraçado e atitudes excêntricas.

A banda sonora do filme está muito boa ou não fosse cantada por Queen Latifah e Common, dois premiados rapers.

Queen-Latifah-e-Common-filme-Just-Wright
Queen Latifah e Common são casal romântico de Just Wright.

O melhor: A química entre Queen Latifah e Common.

O menos bom: O enredo acaba por se arrastar um pouco, mas nada que tire a magia ao filme.

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