Clássicos da Literatura | A Metamorfose, Franz Kafka


Sinopse:
"Prestemos atenção ao estilo de Kafka. Na sua claridade, no seu tom preciso e formal, em agudo contraste com o assunto tenebroso do conto. Não há metáforas poéticas a adornar esta severa história a preto-e-branco. A nitidez do seu estilo sublinha a riqueza perversa da sua fantasia. Contraste e unidade, estilo e assunto, trama e forma, alcançam aqui uma coesão perfeita." do prefácio de Nabokov.


Um clássico incontornável da literatura, A Metamorfose de Frank Kafka pode ser considerado uma novela, mas apesar de pequena em tamanho, a sua história não deixa de ser profundamente tocante e longamente meditativa. Estamos perante uma história insólita, George Samsa, um jovem caixeiro-viajante, acorda numa manhã e descobre-se transformado num monstruoso inseto, a partir daí a sua vida nunca mais será a mesma.

Um livro mais arrepiante na mensagem do que na história em si, A Metamorfose leva-nos a conhecer a mente de um homem que externamente perdeu todos os seus indícios de humanidade, mas por dentro, contra aquilo que os outros pensam, continua a ser tão humano quanto qualquer um de nós.

A história de Gregor Samsa é profundamente triste e ao mesmo tempo marcante. O facto dele ter deixado de ter qualquer utilidade para a família que até então era exclusivamente sustentada por ele e assim ter sido continuamente desprezado e negligenciado é muito triste e até revoltante.

Gregor suportava um trabalho que detestava para prover a sua família e pagar as dívidas dos pais, mas a partir do momento em que se transformou num inseto deixou de ter qualquer utilidade e passou a ser cada vez mais desprezado pela família. Até que a negligência sucessiva a que foi sujeito conduziu à sua trágica e solitária morte.

As obsessões de Gregor são arrepiantes desde a sua obsessão em ir para o trabalho, apesar de ter acordado transformado num monstruoso inseto, até à sua constante desculpabilização do modo como é tratado pela família e ao modo tristemente revoltante como ainda continua a fazer planos para provir a família de todas as regalias que a provia até então e de enviar a sua irmã mais nova para o conservatório, apesar do modo completamente desumano como é continuamente tratado até à sua morte que é vista como um alivio para a família.

A Metamorfose é uma história que nos prende mesmo depois de lermos o livro, porque não conseguimos deixar de pensar nela e no destino de Gregor Samsa. Além disso trata-se de uma história, apesar de escrita no início do século XX, bastante atual. Uma vez que Gregor Samsa representa o homem moderno na sua luta diária com a rotina, isto até ao dia em que algo irremediável o força a parar e deixar tudo isso de lado.

Nesta versão destaco o prefácio de Vladimir Nabokov, autor de Lolita, que nos brinda com as suas próprias ilações sobre a obra e nos faz prestar atenção em pontos que de outro modo até eram capazes de nos passar ao lado.

Capa do livro A Metamorfose com prefácio de Vladimir Nabokov.

Franz Kafka pode ter falecido de uma doença muito dolorosa e debilitante (turberculose da laringe) com apenas 42 anos de idade, mas tal facto não o impediu de nos presentear com obras de imensa qualidade como neste caso A Metamorfose e a sua obra ainda mais conhecida, O Processo, que faço tensões de ler em breve.



Franz Kafka nasceu em 1883, em Praga, numa família da média burguesia judia de expressão alemã. Tendo concluído os estudos jurídicos com o título de Doutor em Direito em 1906, começou dois anos depois a revelar os seus primeiros textos em revistas literárias. A Metamorfose, novela que viria a afirmar-se como uma das suas obras de referência, foi publicada em 1915. Publicou em vida apenas sete pequenos livros, três deles antologias de textos e contos. A 3 de junho de 1924, não resistindo à tuberculose que havia contraído em 1917, morreu num sanatório em Kierling, a poucos quilómetros de Viena, deixando três romances fragmentários que seriam publicados postumamente pelo seu amigo e testamenteiro Max Brod: O Processo (1925), O Castelo (1926) e América (1927). A sua obra, centrada no homem solitário moderno, refém de uma vida absurda, tornar-se-ia uma das mais influentes do mundo literário do século XX.

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