fevereiro 20, 2019

Só em Sonhos, Sherrilyn Kenyon | Opinião Livros

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Capa do livro.
Sinopse:
Xypher tem apenas um mês na Terra para se redimir através de uma boa ação ou será condenado à tortura no Tártaro para toda a eternidade. Mas a redenção pouco significa para um semideus que apenas deseja vingança contra aqueles que causaram a sua queda.

Simone Dubois é uma médica-legista com dons psíquicos e capaz de ajudar os mortos a encontrar os seus assassinos. Quando Xypher pede a sua ajuda para abrir um portal para o Inferno e combater demónios, Simone tem a certeza que está perante um louco.

O futuro da Humanidade encontra-se em risco, mas qual a maior ameaça que Simone enfrenta? Os demónios que vêm em sua perseguição, ou o homem misterioso e sedutor que mudou irremediavelmente a sua vida?

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Opinião:

Só em Sonhos é mais um livro da espetacular saga dos predadores de Sherrilyn Kenyon. Neste caso é contada a história de Xypher, um Predador dos Sonhos, metade deus, metade demónio.

Como fã confessa da autora, posso afirmar que apesar de curtinho este livro tem uma história bastante interessante e ganha muitos pontos por ser diferente, em vários aspetos, em relação às histórias anteriores. Existem ainda outras características que tornam este livro distinto dos restantes livros da saga, a capa, que ficou bastante bonita e o título, que não inclui a palavra “noite” para quem conhece os outros livros da autora percebe certamente o que eu quero dizer.

Achei Simone uma protagonista bastante divertida com uma inteligência e sarcasmo dignos de nota. Gostei bastante da sua interação com Xypher, Jesse, Gloria, Tate e com todas as demais personagens com conotação paranormal deste livro, que são imensas. Só mesmo alguém com um incrível sentido de humor negro poderia suportar tantas informações sobrenaturais, em tão curto espaço de tempo. Incluindo uma revelação que ninguém estava à espera, muito menos ela, mas não posso falar sobre isso sem correr o risco de entrar em spoilers.

O Xypher era amoroso, quase como uma criança negligenciada, com todas aquelas fragilidades, que tão bem escondia sob uma carapaça dura e rude, não é a minha primeira impressão sobre ele mas sem dúvida a que mais predomina. Não poderia haver outra mulher para o Xypher, só Simone teria coragem suficiente para tentar compreendê-lo e amá-lo.

Todavia, começo a ficar um bocado cansada do passado traumatizante dos protagonistas masculinos da Sherrilyn, por um lado compreendo que é seu o passado sofrido que faz aqueles seres sobrenaturais mais humanos aos nossos olhos e, assim, criarmos uma forte empatia por eles, e por outro, já não aguento tanto melodrama existencial. Será possível que quanto mais poderosos formos mais dor e sofrimento teremos que aguentar para viver? Basicamente, é esta a mensagem que começo a receber com esta saga, o que não quer dizer que vou deixar de a ler, a aura de mistério que rodeia muitas das suas personagens faz com que isso seja impossível, quem não tem curiosidade sobre o Savitar, o Jaden, o Nick, o Acheron, e sobre muitas outras personagens que de vez em quando vão aparecendo? Apenas quer dizer que vou começar a espaçar mais a leitura destes livros para poder descansar um pouco de tanta dor e sofrimento.

Não deixo de recomendar este livro. Para quem gosta de romances sobrenaturais tem aqui um equilíbrio perfeito entre romance, fantasia e ação. E, claro, não podia faltar o poder redentor do amor.

Artigo de opinião da minha autoria publicado originalmente no blogue D'Magia.
fevereiro 19, 2019

À Solta na Noite, Sherrilyn Kenyon | Opinião Livros

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Capa do livro.
Sinopse:
É um mundo cruel para os Predadores. O perigo espreita em cada esquina. Não há ninguém em quem possam confiar. Ninguém que possam amar. Não se quiserem continuar vivos...

Wren Tigarian era apenas uma cria órfã quando foi levado para o Santuário. Muitos veem-no como uma aberração - uma mistura proibida de duas espécies, pelo que se tornou um solitário, isolando-se tanto do contacto com os Predadores do Homem como com os humanos. Até conhecer Marguerite Goudeau. Filha de um notável senador dos EUA, Marguerite detesta a farsa social em que é obrigada a viver. Contudo, não tem outra opção senão tentar adaptar-se a um mundo onde se sente uma estranha. O mundo dos humanos nunca devia contactar com o dos Predadores do Homem, que habitam a seu lado, invisíveis, desconhecidos, indecifráveis. Mas para que possa proteger Marguerite, Wren terá de combater não apenas os humanos que nunca aceitarão a sua natureza animal, como também os Predadores do Homem que o querem ver morto. É uma corrida contra o tempo num mundo de magia sem fronteiras que lhes poderá custar não apenas a vida, mas a alma...

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A Albertina prepara-se para passar a noite com o meu exemplar de "À Solta na Noite".

Opinião:

Sou fã da Sherrilyn Kenyon há já algum tempo. Os seus livros são negros, misteriosos e imensamente românticos. Os seus heróis são pessoas sofridas, maltratadas e brutalmente traídas por quem mais amavam. Contudo, de algum modo, conseguem manter o coração intacto, ou quase... No fundo, o que mais anseiam é o que todos nós ansiamos: amar e ser amados.

A autora tem por costume criar personagens com um grau de complexidade notável, onde a dualidade da mente humana é explorada com talento e criatividade. Aqui os vilões não são cem por cento maus e os heróis não são tão santinhos assim. Na sua maioria são pessoas especiais, com poderes sobrenaturais que no fundo das suas almas atormentadas não podiam ser mais humanas, com as suas dúvidas, receios, sonhos e esperanças. O seu passado sofrido faz-nos criar uma forte empatia com elas. Fazendo com que as apoiemos em todos os momentos da sua busca incansável pela felicidade.

Wren é o protagonista deste livro. Literalmente um animal solitário. Maltratado e negligenciado pelos próprios pais. Criado numa jaula, como se duma aberração se tratasse. Eventualmente, acabou por acreditar que tinha uma deficiência. Um híbrido de tigre das neves e leopardo que nunca devia ter nascido, isto de acordo com a própria mãe.

Após a morte dos pais em circunstâncias misteriosas, Wren é levado para o Santuário, um refúgio onde encontra hostilidade ao invés de acolhimento. Assim, ele vai crescendo na mais reclusa das solidões, na maior das incompreensões, até ao dia em que a conhece. Ela é Marguerite Goudeau, também ela uma solitária. Maggie vive num mundo que despreza, pautado por frivolidades e falsidades com o qual nunca se identificou. O seu pai é frio, distante e controlador. Os seus amigos não são realmente seus amigos, à exceção de Nick (desaparecido recentemente). Quando o seu destino se cruza com o de Wren, os dados estão lançados para que estas duas almas solitárias se juntem.

Adorei a dinâmicas entre os dois protagonistas e o modo intenso como a autora nos colocou na pele de ambos. Wren foi, de longe, a personagem mais cativante do livro. Um animal sob a pele de homem. Um predador com um coração bondoso e uma capacidade incrível de se sacrificar pela pessoa que ama para lá de qualquer dúvida.

Em relação às outras personagens, confesso que estou muito curiosa sobre quem é, ou mais exatamente, o que é, Savitar. Palpita-me que os seus segredos devem ser surpreendentes.

De resto, este é um livro muito afastado do mundo dos Predadores da Noite, onde nos é apresentado o mundo dos Predadores do Homem, mais propriamente dos Katagaria (animais com a capacidade de se transformar em homens) inimigos mortais dos Arcadianos (homens com a capacidade de se transformar em animais). A autora tem aqui muito material para criar histórias espetaculares e, conhecendo o seu trabalho, sei que as nossas expectativas não serão desfraldadas.


Artigo de opinião da minha autoria publicado originalmente no blogue D'Magia
fevereiro 17, 2019

De Homem para Homem, Netflix | Opinião Doramas

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 Dados Técnicos:
Título original: Maen Too Maen
País: Coreia do Sul
Ano: 2017
Episódios: 16
Género: Ação, Drama, Thriller, Romance
Elenco: Hae-Jin Park, Sung-woong Park, Min-Jung Kim, Jeong-an Chae, Jason Nelson,
Ho-jin Chun, Hyun-Sung Jang, Man-sik Jeong, Si-eon Lee, Jeong-hun Yeon
IMDb: https://www.imdb.com/title/tt6032762/


Sinopse:
Um agente secreto trabalha infiltrado como guarda-costas e é forçado a lidar simultaneamente com missões de segurança nacional e com a estrela temperamental que protege (Fonte: Netflix).

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Opinião:

Confesso que já me tinha cruzado várias vezes com este dorama na Netflix, mas, talvez pela capa demasiado escura, não me chamou a atenção... Agora estou arrependida de não ter assistido mais cedo a De Homem para Homem, um dos doramas mais divertidos e interessantes que assisti nos últimos tempos.

Adorei o facto do protagonista ser tão sério que chegava a ser cómico e a nossa mocinha ser cheia de defeitos e completamente maluca. Ri imenso com este dorama e o jeito diferente e caricato dos protagonistas. Para além disso, amei as cenas de ação e comédia para não falar da banda sonora que está fenomenal.

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Hae-Jin Park como agente secreto Kim.

De Homem para Homem conta-nos uma história de espiões, digna dos grandes êxitos ocidentais como da Saga 007 (James Bond). Neste caso temos como protagonista o agente fantasma K que se envolve em missões secretas pelo mundo inteiro, mas desta vez um grande mistério envolvendo o desaparecimento de outro agente e de umas estátuas de madeira leva-o de volta à Coreia do Sul onde se irá passar por guarda-costas de uma mimada estrela de filmes de ação, mas o seu maior problema nesta missão não é o ator temperamental que está encarregado de proteger, mas a extremamente possessiva agente deste, Do-Ha, que é também uma fã maluca do ator e não nutrirá grandes amores pelo guarda Kim a principio.

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O guarda-costas Kim e Yeo Woon-gwang numa cena icónica.

A relação entre o guarda-costas Kim e Do-Ha começa como um interesse da parte dele e acaba como algo mais profundo e assistir a esse desabrochar é sem dúvida um dos pontos mais fortes de todo o dorama. Para além disso, temos o tal ator temperamental que fala na sinopse, Yeo Woon-gwang, brilhantemente interpretado por Sung-woong Park. Yeo Woon-gwang é aquela típica estrela cheia de manias e caprichos, mas por detrás de tudo isso podemos vislumbrar um homem integro e leal aos seus amigos que sofreu um grande desgosto de amor no passado.

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O trio de personagens que torna este dorama tão especial.

Este dorama acaba por ter todos os ingredientes para cativar o público, ação quanto baste, um romance de derreter corações, cenas de comédia de rir às gargalhadas e um grande mistério. Não se deixem enganar pelo poster pouco apelativo como eu!

Ouvi um zumzum sobre uma possível segunda temporada e cá estou eu para assistir com entusiasmo! Contudo, espero sinceramente que não deitem a história a perder como, por vezes, acontece com muitas séries ocidentais.

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O guarda Kim e Do-Ha

O melhor: O ator Hae-Jin Park que nos entrega um protagonista carismático e cheio de contrastes.

O menos bom: Talvez um arrastar desnecessário do número de episódios.
fevereiro 16, 2019

O Diabo também Chora, Sherrilyn Kenyon | Opinião Livros

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Capa da livro.

Sinopse:
Sin, um antigo deus Sumério, era um dos mais poderosos do seu panteão… até à noite em que Ártemis lhe roubou a divindade e o deixou a um passo da morte. Durante milénios, o ex-deus convertido em Predador da Noite procurou recuperar os seus poderes e vingar-se de Ártemis. Mas agora tem peixes mais graúdos — ou demónios mais graúdos — com que se preocupar. Os letais gallu, que tinham sido enterrados pelo seu panteão, começam a despertar e estão famintos de carne humana. O seu objetivo: destruir a humanidade. Sin é o único que os pode deter… se uma certa mulher não o matar primeiro.

E para quem apenas conheceu a traição, agora Sin terá de confiar numa pessoa que não hesitará em o entregar aos demónios. Ártemis pode ter roubado a sua divindade, mas outra mulher roubou-lhe o coração. A única pergunta é: irá ela mantê-lo… ou dá-lo a comer aos que o querem morto?

Opinião:

Este é o terceiro livro da saga Predadores da Noite que leio. O primeiro foi O Beijo da Noite que não é propriamente muito introdutório em relação aos Predadores da Noite e, por essa razão, não fiquei muito empolgada com a série, apesar de achar a escrita da autora muito boa. Mas depois de, muito por acaso, acabar por ler Sedução na Noite, fiquei viciada e pretendo ler todos os livros desta série.

O Diabo Também Chora tem uma protagonista que achei muito misteriosa e enigmática em O Beijo da Noite. Nessa altura, não gostei muito dela. Neste livro, acabei por compreender toda essa aura de mistério que a rodeava. Katra mostra-nos uma personagem que podia ser mimada e caprichosa, por ser muito poderosa ou, por outro lado, cruel e fria, dada a vida de exclusão que viveu durante mais de dez mil anos, imaginem. No entanto, ela é incrivelmente espirituosa, divertida e sarcástica. Kat não pode ficar de braços cruzados, quando o mundo está em perigo, estando disposta a sacrificar-se a si própria pelo bem daqueles que ama. É uma personagem que cativa imediatamente, ao contrário de Sin. Achei-o demasiado "quadrado" e bruto, no início. Ele era super repetitivo, sempre a insultar a mãe de Kat. Sim, ele tinha razões para isso, eu sei. Mas era cansativo estar sempre a ler os mesmos insultos à mesma personagem. Aqui, a autora podia ter usado mais originalidade e, dado o facto da mãe de Kat ser mesmo odiosa, não devia ser difícil.

Com o passar das páginas, é nos mostrado o passado de Sin e levantado o véu sobre os seus sentimentos e receios. Com a evolução do seu amor por Kat, vamos vislumbrando um outro lado dele, um lado vulnerável, com uma fragilidade quase palpável que nos cativa. Aí passei a adorar esta personagem e a achá-la quase tão carismática como o Valério (Sedução na Noite), contudo faltou o quase...

Acheron foi uma grande surpresa neste livro. Os diálogos que teve com a filha deixaram-me com uma grande vontade de ler o livro que conta a sua história. Questiono-me como um "homem" com um passado tão sofrido, que foi humilhado e maltratado por todos os que o deviam proteger e traído de forma cruel por quem mais amava pode manter o coração tão puro. Quando ele disse a Kat: "O diabo também chora quando olha à sua volta no inferno e descobre que está sozinho", fiquei encantada com ele. Esta frase, na minha opinião, deu origem ao título do livro e o seu contexto não podia ter sido melhor, pois não dizia apenas respeito a Sin, mas dizia também respeito ao próprio e a todos os outros Predadores da Noite, personagens com passados trágicos e cuja salvação para o seu futuro é quebrar a solidão com o amor.

Adorei este livro. Mas não consigo decidir se o prefiro a Sedução na Noite. Acho que são os dois muito bons, cada um à sua maneira. Kat consegue bater Tabitha, mas Sin não consegue bater Valério, apesar de quase empatar com ele.

O melhor: A oportunidade de conhecermos melhor a personagem Katra.

O menos bom: A personalidade bruta do protagonista masculino Sin.

Artigo de opinião da minha autoria publicado originalmente no blogue Segredo dos Livros
fevereiro 15, 2019

As regras da Sedução, Madeline Hunter | Opinião Livros

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Capa do livro.

Sinopse:
As regras dele vão iniciá-la no mundo do prazer e da sensualidade... As regras dela vão subjugá-lo.

Hayden chega sem aviso e sem ser convidado - um estranho com motivações secretas e um forte carisma. Em poucas horas, Alexia Welbourne vê a sua vida mudar irremediavelmente. A relação entre ambos é tensa, agitada e incómoda. Para Alexia, Hayden é o culpado da sua desventura: sem dote, ela perdeu qualquer esperança de algum dia se casar. Mas tudo muda quando Hayden lhe rouba a inocência num acto impulsivo de paixão. As regras da sociedade obrigam-na a casar com o homem que arruinou a sua família. O que ela desconhece é que o seu autoritário e sensual marido é movido por uma intenção oculta e carrega consigo uma pesada dívida de honra. Para a poder pagar, ele arriscará tudo... excepto a mulher, que começa a jogar segundo as suas próprias regras…

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Opinião:

Este foi o segundo livro de Madeline Hunter, uma das escritoras que figura no meu TOP 7 - Escritoras Favoritas que tive o prazer de ler. Assim, depois de um Casamento de Conveniência no mínimo marcante, as minhas expectativas eram bastante altas relativamente e este Regras da Sedução. O resultado não podia ter sido mais satisfatório.

Com esta história cativante, a autora conjuga, de modo soberbo, uma paixão arrebatadora com todo um ambiente hostil e ao mesmo tempo fascinante que nos envolve,  criando um romance tão tocante quanto profundo. O estatuto social e todo um conjunto de regras vigentes forçam duas pessoas completamente diferentes, que em circunstâncias normais nunca se teriam cruzado, a ligar irremediavelmente as suas vidas por um frágil fio do destino. No entanto, contra todas as expectativas esse fio acaba por se revelar pouco frágil face aos sentimentos profundos que os unem.

Alexia, aparentemente, não possui nada que a faça destacar-se no mundo de frivolidades em que vive. Não é bonita, não tem dinheiro, vive de favor em casa dos primos, mas tem carácter, uma personalidade forte e ao mesmo tempo cordial, uma sinceridade audaz, uma postura irrepreensível e uma inteligência sagaz. Todo um conjunto de características que irá chamar sobre ela as atenções do Lord Hayden Rothwell.

Hayden é, aparentemente, um homem severo e rude. Um génio financeiro, que trata as amantes como parceiros de negócio, ou seja, com um contrato devidamente estabelecido entre ambas as partes. No entanto, é também um homem atraente, sedutor, incrivelmente rico, com uma inteligência acima da média, que apesar não ser normalmente impulsivo pode sê-lo e, de um modo tão arrebatador quanto sincero. Alexia e Hayden podem não ser perfeitos mas são os seus defeitos que os unem um ao outro e a nós leitores.

Há ainda um terceiro elemento nesta história que deve ser destacado pela sua grande relevância para o desenrolar dos acontecimentos, Benjamin Longworth. Este homem foi para Alexia, o primeiro amor, ou assim julgava ela, para Hayden, um grande amigo, ou assim julgava ele. Benjamin pode ter contribuído em grande escala para a união dos protagonistas mas foi também durante todo o livro a principal força motriz que os afastava, pairando como uma sombra entre eles.

Mais do que um romance com uma forte carga erótica, temos uma história bem construída que nos envolve logo de início numa leitura compulsiva e agradável, através da qual vamos testemunhando o crescimento de uma forte paixão que se vai metamorfoseando-se num amor mais forte que qualquer preconceito social, levando ao triunfo do amor.

Estou desejosa por ler o livro da autora que tem como protagonista o irmão mais velho de Hayden, Christian pareceu-me uma personagem enigmática, ao mesmo tempo perigosa e fascinante, com tanto ainda para dar…

Artigo de opinião da minha autoria publicado originalmente no blogue D'Magia.
fevereiro 14, 2019

Tudo o que ficou para trás, Nora Roberts | Opinião Livros

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Capa do livro

Sinopse:
Uma história apaixonante sobre confrontar o passado e saciar um antigo desejo de vingança
Aos vinte e cinco anos, a Princesa Adrianne tem uma vida que a maioria das pessoas invejaria. Mas a sua postura de menina linda, elegante, rica e mimada é um artifício, um esforço cuidadosamente calculado para esconder uma perigosa verdade e um trágico passado.
Há uma década que Adrianne vive com desejo de vingança. Durante a infância apenas pôde assistir à crueldade escondida atrás da fachada do casamento de conto de fadas dos pais. Agora tem o plano perfeito para fazer o seu pai pagar a crueldade que cometeu: irá apoderar-se de O Sol e A Lua, um lendário colar de valor inestimável.
Contudo, conhece um homem que parece adivinhar todos os seus segredos. Inteligente, encantador e enigmático, Philip Chamberlain tem os seus próprios motivos para se aproximar de Adrianne. E só demasiado tarde ela se aperceberá do perigo… quando se vê obrigada a enfrentar dois homens extraordinários: um com o conhecimento para lhe roubar a liberdade, o outro com o poder para lhe roubar a vida.

Opinião:

Sou uma fã incondicional da autora Nora Roberts. Admiro a sua capacidade para criar histórias de amor lindíssimas, com um toque muito próprio, onde a característica mais vincada e que mais admiro é a personalidade forte das suas protagonistas. Tenho lido várias obras da sua autoria ao longo dos anos e um dos meus livros preferidos até hoje é Lua de Sangue. Nunca me desapontei com os seus livros, mas desta vez estive próxima desse sentimento.

Tudo o que ficou para trás está longe de ser o livro mais romântico da autora. Apenas quando passamos mais de metade da sua leitura é que, finalmente, os protagonistas interagem entre si. A partir daí, torna-se tudo demasiado rápido. O fim é pouco credível, do meu ponto de vista.

O livro aborda a vida de Phoebe Springs, atriz famosa, talentosa e de uma beleza incomparável, que abdica de todos os luxos de Hollywood por amor, quando o seu ingénuo coração é arrebatado por Abdu, um charmoso xeque de um pequeno país árabe chamado Jaquir, tornando-se a sua rainha. No entanto, o que parecia uma história de amor de conto de fadas, depressa se revela um autêntico pesadelo. Desprezada pelo homem que amava por lhe ter dado uma filha ao invés do esperado herdeiro do trono e não poder ter mais filhos, Phoebe encontra-se sozinha num país com fortes tradições muçulmanas, onde as mulheres não passam de adereços, que servem unicamente para agradar aos homens, e estes podem ter várias esposas. Maltratada, humilhada e violada repetidamente pelo marido, ela aguenta tudo por ainda o amar e, principalmente, pela filha que, apesar de tudo, cresce feliz no harém do pai, o único mundo que conhece. Para colmatar a dor, Phoebe sucumbe ao consumo de álcool e calmantes, tornando-se rapidamente vítima do vício. Todavia, quando Abdu ameaça levar a sua filha para uma escola na Alemanha e casá-la com um homem mais velho, por conveniência, quando esta fizesse quinze anos, tudo muda.

Adrianne é a filha mestiça de Phoebe, odiada pelo pai, por lhe lembrar a sua maior fraqueza, o casamento com uma ocidental. Cresce na América, sem apoios de qualquer tipo do pai, com uma mãe doente, que nunca conseguiu recuperar de tudo o que passou em Jaquir. Desde cedo, Adrianne desenvolve um profundo sentimento de revolta e vingança contra Abdu, sentimento que não esmorece, mesmo com a morte da mãe. É durante a sua cruzada de vingança contra Abdu, que conhece Philip, um famoso ladrão de jóias internacional, tal como ela. Juntos, iniciam um duelo de vontades, ao mesmo tempo que planeiam o roubo de uma jóia de valor incalculável, de seu nome “O Sol e a Lua”, guardada no cofre real do palácio de Jaquir.

Abdu representa uma personagem completamente detestável. O desprezo e ódio que sentia pela mulher e pela filha eram quase palpáveis e sem uma razão válida. Nem a idade serviu para derreter um bocadinho que fosse aquele coração de pedra, se calhar até de diamante, não pelo seu valor, mas porque ouvi dizer que é um dos materiais mais duros do mundo. Phoebe era uma mulher ao mesmo tempo corajosa e extremamente frágil e quebradiça. Tive muita pena de que esta não tivesse a força suficiente para recuperar o controlo da sua vida. Senti a vitória de Abdu sobre ela com muito desagrado. Adrianne era mais forte, por ter herdado um pouco do caráter frio do pai, mas herdou principalmente a bondade da mãe. Philip era um autêntico bon vivant que reconheceu de imediato a mulher da sua vida. Mas conseguirá ele fazer com que ela perceba isso?

Enfim, um livro que me deixa um bocado triste, mais pela história em si do que pelo trabalho de Nora Roberts, que não deixa de ser excelente.

Artigo de opinião da minha autoria publicado originalmente no blogue Segredo dos Livros.
fevereiro 12, 2019

O Ano do Dilúvio, Margaret Atwood | Opinião Livros

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Capa do livro

Sinopse:
O Sol já brilha no céu, dando ao cinzento do mar o seu tom avermelhado. Os abutres secam as asas ao vento. Cheira a queimado. O dilúvio seco, uma praga criada em laboratório pelo homem, exterminou a humanidade. Mas duas mulheres sobreviveram: Ren, uma dançarina de varão, e Toby, que do alto do seu jardim no terraço observa e escuta. Está aí mais alguém? Um livro visionário, profético, de dimensões bíblicas, que põe a nu o mais ridículo e o mais sublime do ser humano, a nossa capacidade para a destruição e para a esperança. Negro, terno, inquietante, violento e hilariante, revela Margaret Atwood no seu melhor.

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Opinião:

O desafio de ler uma obra de Margaret Atwood surgiu no Clube do Livro ao qual pertenço. Enquanto os meus colegas se comprometeram a embrenhar por obras mais conhecidas da autora, nomeadamente, A História de uma Serva que deu origem à proclamada série da Hulu, optei, por falta de escolha visto que foi o único livro da autora que me restou na biblioteca, por uma obra menos conhecida, O Ano do Dilúvio. Não sabia propriamente o que esperar com este livro e devo confessar de demorei a entrar na história e nem sei se cheguei a entrar realmente nela. Só mais tarde descobri que este livro é o segundo volume de uma trilogia iniciada com Ónix e Crex e mais tarde fechada com MarAddam, o volume que dá o nome à trilogia.

Deus podia ter concebido o Homem a partir do puro Verbo, mas não foi esse o método que ele usou. Também o podia ter formado do pó da Terra, o que, de certo modo, até fez, pois o que mais pode significar "pó" senão átomos e moléculas, os componentes básicos de todas as entidades materiais?

O Ano do Dilúvio retrata um mundo pós-apocalíptico, no qual (aparentemente) apenas restaram duas mulheres: Toby e Ren. À partida, elas não têm qualquer relação entre si, mas depressa descobrimos que as coisas não são bem assim. Toby e Ren podem ter passados diferentes, mas ao longo das suas vidas, elas acabaram por convergir, num momento específico, para um estranha seita de ecologistas adoradores de animais chamada Jardineiros de Deus.

Ao longo de todo o livro vamos tendo um vislumbre alternado do passado e presente de Toby e Ren. Toby é mais velha, poderia ser mãe de Ren, a sua vida era relativamente normal até a sua mãe falecer com uma estranha doença e o seu pai se suicidar, a partir daí a vida da jovem Toby sofre revés atrás de revés, acabando por ir parar às mãos cruéis de Blanco. A sua morte parecia eminente até que é resgatada pelos Jardineiros. Mesmo nunca se considerando uma verdadeira crente, Toby acaba por abraçar todos os membros daquela estranha seita como se fossem a sua própria família. 

Ren era apenas uma criança quando a mãe Lucerne fugiu com Zeb, um membro dos Jardineiros, e a levou juntamente com eles para viver no meio desta seita, a sua vida até então priveligiada levou uma volta. Ren sente-se extremamente solitária até que encontra Amanda, que passa a ser a sua melhor amiga e de algum modo um grande apoio, apesar do medo dos outros membros do grupo que esta a influencie. Mas, do mesmo modo com que arrancou Ren da sua vida anterior, Lucerne arrasta novamente a filha para a sua vida anterior. Ren sofre novamente com uma reintegração forçada e, mais tarde com o abandono da mãe e a sua vida torna a ser novamente alterada para convergir com a sua profissão futura: prostituta e dançaria exótica num clube famoso chamado Escamas.

Apesar de ser a vida de Ren que mais voltas irá sofrer ao longo do livro, Toby é a minha personagem favorita, uma vítima que acaba por se erguer mesmo com os seus traumas e que tenta fazer o melhor por aqueles que a acolheram, tentando ser verdadeira consigo própria, ao mesmo tempo que tenta agradar àqueles que a salvaram. As crianças temiam-na, mas respeitavam-na acima de tudo. Os outros Jardineiros consideraram-na como um deles muito antes dela própria ter aceitado esse destino, de algum modo lhe imposto por um qualquer sentimento de lealdade. Além disso, Toby é garantidamente a personagem melhor preparada para enfrentar um Apocalipse com a sua dureza e sentido de humor mórbido. Por explorar fica a sua relação com Zeb, o membro mais carismático dos Jardineiros.

Já Ren é aquele típico exemplo de criança ingénua que cresce como uma mulher fraca sem forças para ultrapassar as contrariedades de vida e se deixa levar na maré mais fácil. Sem Amanda e, principalmente, Toby, Ren nunca teria conseguido se salvar, a verdade é essa.

O Ano do Dilúvio está longe de ter sido um livro cativante, mas foi de algum modo uma leitura interessante com uma mensagem pertinente para o futuro da Humanidade. Num planeta que avança rapidamente na exploração desenfreada dos seus recursos naturais a um ritmo assustadoramente rápido, este livro oferece-nos uma visão ao mesmo tempo profundamente negativa e de algum modo esperançosamente otimista para o futuro da Humanidade.

Segundo as Palavras Humanas de Deus, a tarefa de salvar as Espécies escolhidas foi dada a Noé, que simbolizava os que estavam conscientes entre a Humanidade. Somente ele foi prevenido; somente ele arrogou a si a intendência original de Adão, mantendo as benquistas Espécies de Deus a salvo até as águas do Dilúvio recuarem e a sua Arca encalhar em Ararat. Então, as Criaturas salvas foram soltas sobre a Terra, como se numa segunda Criação.

O melhor: Ver a evolução da personagem Toby.

O menos bom: Tentar seguir o fio à meada com uma história estranha e demasiado profética, isto apesar de considerar os sermões do líder dos Jardineiros, Adão Um, bastante interessantes e instrutivos.


Sobre a autora:


Margaret-Atwood
Margaret Atwood
Margaret Atwood nasceu em Otava em 1939. É a mais celebrada autora canadiana e publicou mais de quarenta livros, de ficção, poesia e ensaio. Recebeu diversos prémios literários ao longo da sua carreira, incluindo o Arthur C. Clarke, o Booker Prize, o Governor General’s Award e o Giller Prize, bem como o prémio para Excelência Literária do Sunday Times (Reino Unido), a Medalha de Honra para Literatura do National Arts Clube (EUA), o título de Chevalier de l’ Ordre des Artes e des Lettres (França) e foi a primeira vencedora do Prémio Literário de Londres. Está traduzida para trinta e cinco línguas. Vive em Toronto com o escritor Graeme Gibson.

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