novembro 26, 2018

Seducing Stag (Cyborg Seduction 10), Laurann Dohner | Opinião Livros

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Sinopse:
Stag e a tripulação da Varnish estão em uma missão, respondendo a um sinal de socorro de uma nave que havia sido atacada pelos Modelos Markus. Ao invés disso, eles descobrem apenas um sobrevivente. Nala é humana e, tendo sofrido nas mãos deles durante seu tempo na Terra, não há uma espécie que Stag despreza mais. Mas quando a pequena humana o confunde com um android e tenta mandar nele, Stag decide que ela vai viver e pagar pelo desrespeito dela. 
Nala Vestria perdeu sua nave, sua tripulação e seu pai, apenas para se tornar uma empregada pessoal de um cyborg. Stag é grosseiro, impaciente e completamente desconfiado dos humanos... sem mencionar intenso, mandão e talvez o ser mais sexy que Nala já viu. Quando ela descobre que ele temporariamente está a mercê dela, Nala não tem certeza se quer matá-lo ou beijá-lo. Então de novo, a vida é curta. Ela opta pelo último. 
Nala rapidamente se torna uma distração que Stag não pode lidar, especialmente depois que ele teve um gosto carnal do que a mulher tem para oferecer. Ele vai levá-la de volta para Garden, o planeta de origem dele, e se livrar dela - assim como a emoção que ela evoca. Mas a jornada deles até Garden torna-se stressante, Nala pode provar ser mais uma vantagem do que uma desvantagem. Tanto para a nave como para o cyborg solitário que a comanda.

Opinião:

Nunca me canso de ler um livro de Laurann Dohner, o seu registo é ao mesmo tempo cliché e peculiar. As suas obras são, geralmente, diferentes dos demais romances eróticos que andam por aí. As suas personagens costumam ser razoavelmente bem construídas, as suas heroínas são mulheres de armas que sabem aquilo que querem e os seus heróis, por detrás de todos aqueles músculos e atitudes frias, têm um coração de ouro e derretem a mais gelada das almas.

O último livro da série Cyborg Seduction, Seducing Stag apresenta-nos a história de Stag, um cyborg profundamente traumatizado pelo tempo que passou na Terra, onde foi brutalizado repetidamente pelos humanos. Agora livre e dono da sua própria nave a Varnish, Stag afirma desprezar os humanos, aquelas criaturas traiçoeiras, com todas as suas forças e chega a provar isso no livro anterior da série, Loving Deviant sobre o qual já comentei aqui no blogue, nessa altura ele não me inspirou nenhuma simpatia e agora, infelizmente, também não me inspirou a simpatia que todos os outros cyborgs me inspiraram nos seus livros como Zorus, o "mau da fita" durante vários livros até ter o seu próprio livro e nos render infindáveis suspiros ou Blackie, cuja a atitude sobre a protagonista do livro que antecedeu o seu próprio livro me revoltou profundamente, mas que conseguiu se redimir. Stag não fez nada tão mau como Zorus ou Blackie, mas por outro lado não o achei tão carismático como os outros dois e isso talvez tenha sido culpa da senhora Dohner que não o desenvolveu tanto bem quanto podia e devia. A protagonista feminina também não foi uma das minhas favoritas, mas a história dos dois não deixa de ser bastante prazerosa para quem aprecia um bom romance do género.

O mundo cyborg não foi particularmente desenvolvido neste livro e, apesar do leve vislumbre dos sádicos modelos Marcus, não estivemos em Garden, nem encontramos os protagonistas anteriores da série, isto apesar de termos conhecido novos cyborg e termos reencontrado outros e sei que todos eles acabarão por possuir o seu próprio livro. Só gostava que a autora não se dividisse em incontáveis séries e se concentrasse mais em Cyborg Seduction e na série New Species que é  também uma das suas séries que adoro e sigo religiosamente. Mas não, Laurann Dohner de vez em quando cria uma nova série e lá vamos nós atrás das migalhas que ela deixa para trás e com saudades das nossas séries habituais acabamos por começar a seguir as suas novas séries, pelo menos é o que tem acontecido comigo.

Li algumas opiniões negativas sobre este livro e tenho que dizer uma coisa para quem ainda não conhece muito bem as obras da autora, quando começamos a ler as suas obras não podemos levar a peito tudo aquilo que acontece, porque muitas vezes os protagonistas não têm atitudes muito corretas para com as nossas meninas, quer dizer, algumas são compradas, outras são sequestradas, outras são mantidas prisioneiras e quase todas são vítimas do enorme preconceito que alguns machos cyborg têm contra os vis humanos que os criaram, violentaram e mantiveram cativos por muito tempo. Se nós formos levar a sério tudo o que acontece com as pobres protagonistas não temos estômago para ler um livro da série e vamos nos questionar frequentemente como raio é que ela fica com ele? Eu leio Laurann Dohner pelo prazer de ler, não por estar perante um clássico da literatura ou até um tratado de ética. Mente aberta quando lemos uma obra da Laurann Dohner é um requisito fundamental! Mas é claro que existem limites e pelo menos os meus nunca foram ultrapassados pela autora.

Em Seducing Stag temos dois protagonistas muito diferentes um do outro, mas que se completam um ao outro às maravilhas. A protagonista feminina é meio desbocada, dizendo tudo aquilo que lhe vem à cabeça sem sequer pensar uma vez quanto mais duas e Stag é bastante rude com ela durante quase todo o livro, então acho que ficaram quites. A dinâmica da sua relação podia ter sido melhor explorada e faltou sem dúvida alguma profundidade emocional a ambos os protagonistas, mas apesar de todas as suas falhas este foi mais um bom livro e sem dúvida uma mais valia para a série, apesar de não nos ter acrescentado muita coisa em relação à história dos cyborgs em geral.


O melhor: A personalidade ousada e corajosa da protagonista.

O menos bom: A falta de desenvolvimento dos protagonistas.
novembro 18, 2018

Sopro do Mal, Donato Carrisi | Opinião Livros

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Sinopse:
Deus é silencioso, o Diabo sussurra... Cinco pequenas covas numa clareira. Um braço, o esquerdo, enterrado em cada cova. Cinco raparigas desaparecidas, a mais nova com sete anos, a maior com 13. Acabarão por ser seis, ainda que ninguém tenha participado o seu desaparecimento – e ninguém sabe porquê. Têm apenas um ponto em comum: são filhas únicas de casais já com uma certa idade. A equipa de Investigação especial, chefiada pelo criminólogo Goran Gavila, ocupa-se do caso, no meio de fortes pressões para encontrar o culpado e devolver a tranquilidade à comunidade. O assassino tem um plano insólito para os seus homicídios, como num jogo de dominó em que cada peça aparece ligada à seguinte. Ele conduz diabolicamente a policia a encontrar os corpos das crianças, em locais que vêm revelar outros crimes diabólicos cometidos por pessoas insuspeitas. No final, é como se ninguém – absolutamente ninguém – possa ser ou seja inocente.

Opinião:

Este livro foi uma oferta que se revelou preciosa e que passará a constar da minha estante como uma das melhores obras que já li. Dentro do género, Sopro do Mal traz um novo folgo, uma nova maneira de abordar a mente humana, numa das suas vertentes mais cruéis e doentias.

Um criminologista brilhante, que é também um líder respeitado e admirado pela sua equipa e uma investigadora especializada em encontrar pessoas desaparecidas, marcada por um passado misterioso que a traumatizou, irão unir esforços numa investigação de proporções gigantescas, que irá mudar o modo como os Serial Killers são vistos. 

Todo este livro apela à reflexão. Até onde podemos ir para proteger aqueles que mais amamos? Pode o ser humano, por amor, quebrar com as barreiras que delimitam o seu próprio código de conduta moral? Pode o ser humano, uma criatura com vontade própria, ser facilmente manipulado por alguém com um intelecto superior? 

Um assassino que eleva a crueldade humana a um nível completamente novo. Toda uma equipa de investigadores criminais apanhada no fogo cruzado entre duas das mentes mais brilhantes dos seus respectivos ramos: matar e capturar os assassinos. Goran Gavila, o criminologista, não sabe, mas a sua vida jamais será a mesma depois deste confronto, que o colocará frente a frente com um serial killer brilhante e monstruoso. Mila Vasquez torna-se numa das investigadores da equipa de Goran, sem saber que esta investigação vai mudar a sua maneira de ver e viver a vida que tem vindo a desperdiçar. 

Com os dados lançados, só resta percorrer as páginas deste livro para conhecer o vencedor desta luta de génios. Garanto que o final é dos mais surpreendentes que já li e que não conseguirão ficar imunes à fatalidade que se abate sobre os personagens, que são magistralmente manipulados sem sequer se aperceberem por um verdadeiro monstro.

Benny com livro Sopro do Mal.

Artigo de opinião da minha autoria publicado originalmente no blogue D'Magia.

novembro 10, 2018

Tecnologia versus Humanidade, Gerd Leonhard | Opinião Livros

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Sinopse:
O futurólogo Gerd Leonhard abre novos caminhos juntando o desejo da Humanidade de melhorar e automatizar tudo à nossa busca intemporal de liberdade e felicidade. Antes que seja tarde, devemos parar e perguntar: como adoptar a tecnologia sem nos tornarmos nela? Quando ocorrer – primeiro de forma gradual, depois subitamente –, a era da máquina vai constituir o maior marco histórico da vida humana. Inteligência artificial. Computação cognitiva. Comida impressa. A Internet das coisas. A morte da privacidade. O fim do trabalho, tal como o conhecemos. A longevidade radical. Que valores morais está preparado para defender – antes de o ser humano perder o seu significado para sempre?
Gerd Leonhard fornece visões enriquecedoras e uma sabedoria profunda a líderes empresariais, a profissionais e a todos os que tenham de tomar decisões na nova era.

Opinião:

O que será da Humidade num futuro, não tão distante como aquilo que julgamos, devido ao poder crescente da tecnologia sobre as nossas vidas? É esta a grande questão que este livro pretende nos colocar.

Gerd Leonhard intitula-se como futurólogo (seja lá o que isso for) e oferece-nos a sua visão sobre o que será o futuro de todos nós com o crescente evoluir da tecnologia. A tecnologia cresce a um nível tão exponencial que começa gradualmente a fazer parte da nossa vida, entrando, literalmente, na maioria das nossas atividades diárias e a sua importância cresce de dia para dia. A grande preocupação do autor, que de resto deve ser uma preocupação de todos nós, é que passemos a servir as máquinas em vez delas nos servirem a nós e que nos tornemos máquinas numa luta desesperada para nos tornarmos tão produtivos e eficientes quanto elas.

Leonhard faz-nos um relato futurista sobre o destino da Humanidade, dando-lhe um ar de filme de ficção científica, mas na verdade tudo aponta para que o futuro da humanidade se venha a assemelhar àquilo que os autores de ficção científica têm vindo a prever à muitos anos. E esse mundo parece estar mais perto do que julgamos.

"O confronto futuro entre a Máquina e o Homem" é aquilo que o autor prevê, mas Gerd não é aquele autor que recusa a tecnologia na sua vida, pelo contrário ele entende a sua importância em muitos aspetos da nossa vida, mas ao mesmo tempo também consegue ver os inúmeros perigos que a tecnologia representa para a Humanidade. De acordo com o autor, devemos manter um equilíbrio entre homem e máquina e evitar que esse equilíbrio se venha a esbater ao longo do tempo e à medida que a tecnologia se vai tornando cada vez mais barata e fácil de adquirir.

As máquinas não têm ética, então cabe ao Homem adaptar e criar políticas para combater as questões éticas levantadas pelo uso cada vez mais obsessivo dos computadores por parte do Homem. Todas essas questões éticas devem levar à criação, segundo o autor, de um grupo internacional especializado nessas questões.

Concluindo, Tecnologia versus Humanidade é um livro bastante visionário e atual, que fala sobre uma realidade para a qual o Homem ainda não se mentalizou, mas que irá assumir uma importância cada vez maior sobre as nossas vidas, porque afinal as máquinas vieram para ficar e com elas a perda de parte da nossa Humanidade.





O melhor: O "abre-olhos" para questões ligadas à tecnologia extremamente importantes para o nosso futuro, geralmente esquecidas, na maior parte das vezes conscientemente ignoradas.

O menos bons: Algumas ideias ainda bastante utópicas já são consideradas como mais do que certas em 2020! O autor diz-se um futurólogo, mas não exageremos...

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