domingo, 27 de dezembro de 2020

TOP 7 - Personagens Femininas Mais Marcantes da Literatura

TOP 7 - Mulheres mais marcantes da literatura

Quais foram as personagens femininas que mais marcaram a literatura mundial? Este TOP 7 procura dar a minha própria resposta a esta questão tão subjetiva quanto complexa. Passo então a apresentar as personagens femininas que mais me marcaram em termos literários. As suas histórias podem até nem ser tão heroicas quanto isso e, a maioria delas, até pode ter tido um final trágico, mas todas as personagens femininas que figuram neste TOP 7 marcaram a literatura mundial, sendo referências constantes até hoje.

As personagens femininas que integram este TOP 7 são as seguintes:


1- Julieta Capuleto (Romeu e Julieta, William Shakespeare)

Julieta Capuleto, Romeu e Julieta

Quem não conhece Julieta Capuleto, a trágica heroína de um dos maiores clássicos da literatura mundial, Romeu e Julieta, uma tragédia para teatro escrita entre 1591 e 1592 pelo mestre William Shakespeare? Julieta teve uma vida curta, mas em contra partida viveu uma grande e intensa história de amor com Romeu, filho de uma família rival, os Montecchios. Um amor pelo qual ela escolheu dar a própria vida.

Julieta, a filha única de uma das famílias mais ricas da cidade italiana de Verona, os Capuleto, apaixona-se perdidamente por Romeu, filho de uma família rival igualmente rica, os Montecchios. Julieta e Romeu iniciam uma relação secreta e proibida, acabando por casar em segredo com a ajuda de Frei Lourenço e, para poderem fugir juntos, elaboram um plano complexo... Plano esse que acaba por conduzir à morte prematura dos dois amantes. Morte essa que acaba com as disputas das duas famílias, unidas pela tragédia.

Romeu e Julieta é um romance histórico que tem vindo a inspirar inúmeros romances que se lhe sucederam no passado e continuarão a suceder no futuro. Apesar do final dos dois amantes ser para lá de trágico, acredito que foi o destino destes dois heróis da literatura que acabou por tornar a sua história imortal.

Julieta tem o seu nome inscrito na literatura mundial, talvez não seja a personagem mais desafiante desta lista, pelo contrário, mas a peça Romeu e Julieta deu origem a inúmeras adaptações seja em cinema, televisão, literatura, arte e até na música. O legado da personagem é inegável e todas as meninas sonham encontrar o seu Romeu. Todavia, todas querem que o final da sua história seja o "felizes para sempre", ao contrário do que aconteceu com a nossa Julieta…

Tal como termina a peça podemos afirmar que: "Jamais história alguma houve mais dolorosa / Do que a de Julieta e a do seu Romeu."


2- Anna Karenina (Anna Karenina, Lev Tolstoi)

Anna Karenina, Lev Tolstoi

Uma das mulheres mais complexas desta lista, Anna Karenina foi c
riada pelo escritor russo Lev Tolstoi. Personagem cheia de virtudes e defeitos, capaz de atitudes extremas num piscar de olhos, ficamos com a ideia que Tolstoi a amava tanto quanto a odiava, como acaba por acontecer com a maioria dos leitores.

Ao longo das quase mil páginas do romance acompanhamos os altos e baixos da montanha russa que são as emoções desta personagem tão complexa quanto profunda e que foi interpretada por algumas das mulheres mais belas do cinema, como Greta Garbo, ainda hoje considerada como a melhor interprete da personagem, a brilhante e apaixonada Vivian Leigh e, mais recentemente, a francesa Sophie Marceau e Keira Knightley, a rainha das adaptações de romances históricos para o grande ecrã.

Quem era Anna? Irmã de Stiva e esposa de Karénin tem um filho que adora, mas de quem se distância por força das circunstâncias, pois apaixona-se por Vronsky e, por amor, rompe com todas as regras de decoro da sociedade aristocrata russa.

Carismática e bela, uma mulher segura dos seus atributos, que ousou amar sem restrições numa sociedade aristocrata que a julgou como criminosa desde o primeiro instante. Ao tornar-se amante de Vronsky passa a ser uma persona non grata nos meios em que se movia. Acabando por ceder à pressão das suas próprias escolhas, pois enquanto é ostracizada e desprezada por todos, Vronsky é visto e tratado do mesmo modo, já que o homem e a mulher têm tratamentos diferentes em relação ao adultério.
 
Não ama nem nunca amou o marido, com quem mantém uma relação fria e distante. O seu mundo era regido pelas aparências e pelo seu estatuto na alta aristocracia russa. A sua história de amor com Vronsky põe a nu a futilidade e instabilidade das suas relações e também a sua própria instabilidade emocional. Entrega-se de corpo e alma ao que acredita ser uma grande história de amor, mas a diferença de tratamento entre ela e Vronsky pela sociedade russa causa um efeito trágico sobre Anna e intensifica as suas inseguranças e ciúmes.

Um romance incontornável da literatura mundial, Anna Karenina retrata temas como hipocrisia, inveja, fé, fidelidade, família, casamento, sociedade, progresso, desejo carnal, paixão, e o contraste da vida no campo e a vida na cidade. Todavia, se Anna Karenina não fosse uma personagem tão carismática quanto complexa, o seu romance não teria alcançado o estatuto de grande clássico da literatura mundial.



3- Emma Bovary (Madame Bovary, Gustave Flaubert)

Emma Bovary, Madame Bovary

Madame Bovary é também ela uma mulher que ousou procurar o amor numa sociedade que submetia as mulheres a meros objetos dos homens. Criada por Gustave Flaubert, Madame Bovary fez o seu autor passar um mau bocado ao ser julgado judicialmente por atentado aos bons costumes, claro que o processo acabou por não dar em nada e até pode ter contribuído para o sucesso do livro, mas a reputação de Gustave Flaubert sofreu imenso com tudo isso.

Sinceramente, não sou grande fã do autor de Madame Bovary, Gustave Flaubert tem uma escrita muito descritiva e depois de ler A Educação Sentimental, um romance semiautobiográfico do autor, fiquei com a ideia que o seu caráter enquanto ser humano deixava muito a desejar… Todavia não estou aqui para o julgar e sim para falar de uma das mais importantes personagens femininas da literatura mundial: Emma Bovary.

Inicialmente, uma jovem sonhadora e romântica criada no campo, Emma conhece e casa-se com Charles, um médico sem ambição. Ao perceber a que vida de casada não é tão idílica como o descrito nos livros que lia, Emma aborrece-se e procura no adultério o amor e a liberdade com que tanto sonhava, mas também os seus amantes acabam por não corresponder às suas expectativas. Dito assim esta obra parece muito simplista, mas é o contrário, Madame Bovary é um romance complexo que constitui uma crítica cerrada à classe burguesa do século XIX.

Emma Bovary é uma personagem tão rica e importante que deu origem ao termo bovarismo. Em termos psicológicos, o bovarismo consiste numa espécie de alteração do sentido da realidade, na qual uma pessoa possui uma deturpada autoimagem, na qual se considera outra (de características grandiosas e admiráveis), que não é. Em termos mais gerais, o bovarismo faz referência ao estado de insatisfação crónica do ser humano, produzido pelo contraste entre suas ilusões e aspirações (que geralmente são desproporcionadas tendo em conta suas próprias possibilidades) e a realidade frustrante.


4- Catherine Earnshaw (O Monte dos Vendavais, Emily Brontë)

Catherine Earnshaw, O Monte dos Vendavais


Protagonista feminina de uma história de amor, ódio e vingança, Catherine Earnshaw é a meu ver a maior vítima de O Monte dos Vendavais (Wuthering Heights), uma obra onde quase todos podem ser vítimas e algozes em determinados momentos, e uma das personagens mais marcantes e complexas da obra criada por Emily Brontë, uma das famosas irmãs Brontë.

A jovem Cathy apaixona-se perdidamente pelo protagonista Heathcliff, mas oscila entre o amor e o dinheiro e acaba no meio da jornada de vingança do protagonista. Uma jovem mimada, de espírito livre, ama Heathcliff tanto quanto ele a ama, mas, por questões financeiras, decide casar-se com Edgar Linton. Anos mais tarde, após o retorno de Heathcliff, as constantes disputas dos dois homens por seu amor a deixam debilitada mental e fisicamente, acabando por morrer ao dar à luz sua única filha.

Catherine é descrita como uma pessoa de temperamento explosivo. Crises de choro, sentimentos intensos e flutuações de humor também são características típicas da personagem. Assim como o seu amado Heathcliff, ela é uma pessoa de sentimentos intensos e, por vezes, passionais. Cathy demonstra uma grande dificuldade em controlar as suas emoções, possuindo acessos de fúria incontroláveis. 

Personagem paradoxal, pois, ao mesmo tempo que é descrita como amável e sensível, é descrita como uma pessoa explosiva e repleta de delírios, os sentimentos de Cathy são muito intensos e uma angústia assola a sua alma. Dizia sentir "dores" no coração e admitia que seu sangue fervia com facilidade.

Vivia no limite entre a normalidade e a loucura. Os seus súbitos ataques de choro e a sua dificuldade em controlar suas próprias emoções a levavam a características repletas de distúrbios psíquicos. Por tudo isto, Catherine Earnshaw tornou-se numa heroína trágica e inesquecível, morta a meio do seu próprio romance, a sua presença fantasmagórica paira ao longo de toda a obra sobre o seu amante vingativo, Heathcliff.



5- Emma Woodhouse (Emma, Jane Austen)

Emma Woodhouse, Emma (Jane Austen)

Personagem criada por Jane Austen, Emma Woodhouse cativa qualquer leitor pela sua independência e determinação, isto numa altura que esses traços não eram lá muito apreciados numa mulher. Por outro lado, Emma é a personagem mais imatura desta lista.

Emma Woodhouse, a protagonista da história, é uma joverm de 21 anos bela, espirituosa, inteligente e algo fútil. A mãe faleceu quando ela era muito jovem, fazendo com que Emma tomasse conta da casa desde muito cedo. Enquanto em alguns aspetos ela é muito madura, em outros é extremamente infantil. Apesar de afirmar constantemente que nunca se casará, passa seu tempo tentanto arranjar casamento para os outros. Acha que é incapaz de se apaixonar, até que o ciúme faz com que se perceba apaixonada por Mr. Knightley.

Contrastando com as demais heroínas de Austen, Emma se mostra imune à atração romântica ou sexual, e não demonstra interesse romântico pelos homens que conhece. Ela fica genuinamente surpresa, e até desgostosa, quando Mr. Elton declara seu amor por ela, assim como não entende a afeição entre Harriet Smith e Robert Martin; apenas após Harriet Smith revelar seu interesse por Mr. Knightley é que Emma percebe o amor que sente por ele.

Apesar de sua família ser amorosa e ter uma situação financeira estável, a vida de Emma é vazia e fútil, tendo poucas companhias da sua idade quando a história principia. A sua determinação em manipular as pessoas pode ser o protesto contra o limitado alcance de uma mulher rica, especialmente de uma mulher solteira e sem filhos. No entanto, apesar dos seus defeitos, Emma é uma das personagens mais carismáticas de Jane Austen para além de Elizabeth Bennet de Orgulho e Preconceito, sendo que optei por Emma neste TOP 7 apenas por uma questão de gosto pessoal.


6- Scarlett O'Hara (E Tudo o Vento Levou, Margaret Mitchell)

Scarlett O'Hara, E Tudo o Vento Levou

A rebelde e irreverente, Scarlett O'Hara, protagonista de E Tudo o Vento Levou de Margaret Mitchell, foi imortalizada no cinema pela bela Viven Leigh, estanto a figura da atriz ligada de modo irremediável à personagem. Vivien Leig, curiosamente, também chegou a dar vida à bela e trágica Anna Karenina. Contudo, Scarlet é muito diferente de Anna, apesar de se tratarem de duas mulheres complexas e carismáticas. Se o destino de Anna é fruto do seu sofrimento interno, resultado da ostracidade a que a sociedade aristocrata russa a devota, Scarlet é uma mulher mimada e egoísta que tudo fará para ver o seu amor platónico por um amigo de infância, Ashley Wilkes, o noivo da sua prima Melanie, ser correspondido, para isso ela irá magoar tudo e todos, principalmente, a prima Melanie e o homem que a ama profundamente e com quem chegará a casar e ter uma filha, Reth.

Curiosamente, tanto Anna como Scarlet acabarão por não ter o final feliz que tanto desejavam. Contudo, dado o final em aberto de E Tudo o Vento Levou, juntamente com o carater obstinado e combativo de Scarlet, acredito que há esperança para ela...

Tendo como pano de fundo o desenrolar da Guerra Civil Americana, E Tudo o Vento Levou é um clássico inquestionável da literatura mundial, onde acompanhamos as alterações que a Guerra provocará em todas as personagens do livro, principalmente em Scarlett que precisa lutar para sobreviver e manter a fazenda da família. Assim vemos a jovem e mimada Scarlett tomar as rédeas do seu próprio destino e tornar-se numa mulher madura e segura de si, contudo, a sua obsessão por Ashley a irá tornar cega para o verdadeiro amor.


7- Morgana (As Brumas de Avalon, Marion Zimmer Bradley)

Morgana, As Brumas de Avalon

Outra personagem forte e complexa, Morgana ganha imenso destaque na obra de Marion Zimmer Bradley ao assumir a inegável posição de uma das narradoras da série As Brumas de Avalon, composta por quatro volumes, dando assim às mulheres que fazem parte das lendas arturianas uma voz mais forte e humana.

Também ela uma personagem sofrida e endurecida pelo sofrimento porque passa na história, Morgana é uma lutadora nem sempre vista com bons olhos. Uma vilã nas outras versões da história, na versão de Marion Zimmer Bradley a Sacerdotisa da Deusa foi vítima do destino que lhe foi imposto. 

Manipulada para ter sexo com o próprio irmão, Arthur, sem ter disso consciência, Morgana engravida e revolta-se contra as suas circunstâncias e, principalmente, contra aquela que considerava quase como uma mãe e que planeou tudo, Vivianne. Contudo, o seu papel já está irremediavelmente traçado...

Morgana tem nesta versão épica de Marion Zimmer Bradley um papel crucial, tanto na coroação como na destruição de Arthur. Ao longo da obra ela manipula várias personagens centrais para que o decorrer dos acontecimentos decorra do modo que ela acha mais correto, sem pensar que está a fazer exatamente o mesmo que lhe fizeram no passado. Todavia, as sua intenções não são as de uma vilã.

Outro ponto interessante relativamente a esta personagem é que fica de certo modo implícito que ela mantém uma relação homossexual com a Sacerdotisa Raven. Mas aquilo que mais me chama a atenção em Morgana é sua luta silenciosa para manter a sua religião viva, quando o Cristianismo parece engolir indiscriminadamente todas as religiões antigas, fazendo com que a Sacerdotiza da Deusa tenha quase que renegar à sua identidade. A adaptação televisiva da série alterou completamente a personagem e muitas partes da história, por isso aconselho a lerem os livros para perceberem a verdadeira complexidade desta personagem.
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4 comentários:

  1. Oi, Sonia. Como vai? Uau que personagens femininas mais marcantes não é mesmo! Dentre todas as que você escolheu a Morgana é a minha favorita, pois sua complexidade e força é algo tão interessante nesta personagem que fascina-me. Adorei sua lista. Aproveitando o ensejo desejo-lhe um 2021 repleto de realizações e conquistas para você. Abraço!


    https://lucianootacianopensamentosolto.blogspot.com/

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    1. Oi Luciano :)
      A literatura está cheia de personagens, mas poucas ficaram para a história como as mulheres desta lista!
      Também admiro imenso a força e complexidade da Morgana, a única razão para ela estar em sétimo lugar neste TOP 7 é por ser a personagem mais recente desta lista e, talvez, a menos conhecida.
      Desejo-lhe um Feliz Ano de 2021, igualmente repleto de realizações e conquistas.
      Abraço

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  2. Super concordo com a lista!

    cobaiaamiga.com

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    1. Fico muito contente com concorde com a minha humilde lista!
      Beijos

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