fevereiro 20, 2017

Em Troca de Um Coração - Jodi Picoult | Opinião Livros

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Em Troca de Um Coração
Capa do livro Em Troca de Um Coração de Jodi Picoult

Sinopse:
Aceitava realizar o último desejo de um condenado para salvar a vida de um filho? Com uma sensibilidade literária invulgar, Jodi Picoult conduz uma vez mais o leitor a uma encruzilhada moral. Como é que uma mãe concilia a trágica perda de um filho com a oportunidade de salvar a alma de um homem que odeia?

 Shay foi condenado à morte por matar a pequena Elizabeth Nealon e o padrasto. Onze anos mais tarde, a irmã de Elizabeth, Claire, precisa de um transplante de coração e Shay, que vai ser executado, oferece-se como dador. Este último desejo do condenado complica o plano de execução, pois uma injecção letal inutilizaria o órgão. Entretanto, a mãe da criança moribunda debate-se com a questão de pôr de parte o ódio para aceitar o coração do homem que matou a sua filha. Picoult hipnotiza o leitor com uma história de redenção, justiça, e amor.

Opinião:
Este é o segundo livro de Jodi Picoult que tenho o prazer de ler. Em Troca de Um Coração retrata uma história complexa, na qual, sob o ponto de vista de uma série de personagens, navegamos por um mar de questões sejam elas éticas, religiosas e morais.

Um ponto muito interessante neste livro é o modo como se encontra estruturado com cada personagem a narrar uma parte da história na primeira pessoa, sendo que a autora utiliza uma caligrafia diferente para cada interveniente, nunca tinha visto este tipo de abordagem e achei-o bastante original.

Os narradores desta história são: Lucius DuFresne, um homossexual seropositivo em estado terminal, condenado a prisão perpétua e que se encontra no nível 1 (segurança máxima) do estabelecimento prisional de Concord, Lucius foi condenado por ter assassinado o namorado Adam, quando o encontrou na cama com outro homem, torna-se no melhor amigo de Shay Bourne e acredita que este possa ser uma espécie de Messias.

Michael, um jovem padre que batalha não com uma crise de fé, mas com a culpa de no passado ter feito parte de um júri que condenou um homem à morte, onze anos mais tarde, o destino leva-o novamente a cruzar-se com esse homem, Shay Bourne, Michael torna-se numa espécie de conselheiro espiritual de Shay e tenta se redimir do passado ajudando-o a conseguir atingir o seu último desejo: doar o seu coração a Claire Nealon.


Maggie Bloom, uma advogada da União Americana pelas Liberdades Civis que luta fervorosamente contra a pena de morte e pelos direitos humanos, é uma mulher intempestiva, cheia de garra nas suas convicções, mas com uma enorme falta de autoestima, que, de inicio verá em Shay uma oportunidade de atingir os seus próprios objetivos de chamar a atenção da opinião pública contra a pena capital, mas que acabará por desenvolver uma relação bastante próxima com Shay e sofrer pelo seu destino.


Por fim temos June Nealon, uma mulher que perdeu o marido e a filha supostamente às mãos de Shay Bourne e que atualmente se debate com a doença da única filha que lhe resta, Claire, que necessita de um coração para poder viver. Shay Bourne oferece o seu coração, mas até que ponto June estará desesperada para o aceitar? A vida da sua filha é mais importante que a vontade de ver a justiça ser feita ou até mesmo que a vontade de negar o último desejo a Shay?


De início julguei que esta história iria abordar, maioritariamente, o ponto de vista de June Nealon, mas afinal de entre os vários protagonistas foi aquela que teve menor destaque e desenvolvimento. Por outro lado, o padre Michael é talvez aquele que acaba sofrer um maior dilema e que, por ver as suas crenças abaladas, possui um maior destaque. É ele quem mais irá lutar por Shay e que mais fé acabará por depositar nele.

Lucius é um homem assombrado pelo passado e pela perda de um grande amor/obsessão. Adam é como um fantasma que o persegue e que está sempre com ele, por outro lado, Lucius podia ter sido uma personagem muito mais desenvolvida, pois possuía um enorme potencial e cujo real objetivo foi apenas o de nos apresentar os acontecimentos supostamente milagrosos que sucederam a chegada de Shay ao nível 1.


Maggie torna-se advogada de Shay,  numa altura em que este se encontra prestes a ser executado e, se tivesse sido advogada de Shay na altura em que este foi condenado tudo teria sido bem diferente.


Esta é uma história muito mais complexa do que a sinopse à partida nos indica. Não se trata apenas de aceitar ou não o coração de um condenado à morte. Trata-se de aceitar a própria pena de morte, o modo como a religião pode ser interpretada e usada pelo homem a seu favor. Trata-se de ajudar um homem a conseguir que o seu último desejo seja cumprido, o de morrer dentro das suas próprias convicções. Trata-se de aceitar que, por vezes, nós não conhecemos completamente as pessoas que amamos e que aquilo que parece ser a verdade incontestável pode não ser bem aquilo que à partida julgamos.


Jodi Picoult é de facto uma autora deveras talentosa, conseguindo pegar numa série de temas complexos e, de modo bastante simples e claro, fazer valer um ou outro ponto de vista. Por outro lado, neste livro, ela acabou por deixar pontas soltas bastante flagrantes e por não aproveitar melhor o ponto de vista de June Nealon que parecia, de algum modo, uma mulher bastante desequilibrada e de Lucius DuFresne, cuja relação com Shay não foi também aproveitada ao máximo.


Contudo, Em Troca de Um Coração não deixa de ser um livro espetacular, que após a sua leitura nos deixa com uma sensação de gratificação por o ler e nos faz pensar sobre fé e redenção sob uma nova prespetiva.


Uma história que para mim apenas confirma o talento de Jodi Picoult, mas que no início não deixou de me lembrar À Espera de Um Milagre de Stephen King...


Sobre a autora:

Jodi Picoult
Jodi Picoult

Jodi Picoult nasceu e cresceu em Long Island. Estudou Inglês e escrita criativa na Universidade de Princeton e publicou dois contos na revista Seventeen enquanto ainda era estudante. O seu espírito realista e a necessidade de pagar a renda levaram Jodi Picoult a ter uma série de empregos diferentes depois de se formar: trabalhou numa correctora, foi copywriter numa agência de publicidade, trabalhou numa editora e foi professora de inglês. Aos 38 anos é autora de onze best sellers e em 2003 foi galardoada com o New England Bookseller Award for Fiction.
fevereiro 15, 2017

Naruto, Masashi Kishimoto | Opinião Animes

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Naruto
Poster do anime Naruto.


Sinopse:

Naruto é um jovem hiperactivo, o mais barulhento da turma e um pouco traquinas. Tem as piores notas da prestigiosa academia dos ninja, mas está decidido a tornar-se, algum dia, num guerreiro respeitado e líder do seu povo.

Naruto não é consciente do segredo vital que guarda no seu interior: há uns anos atrás, um monstro diabólico com a forma de uma raposa com 9 caudas devastou a sua aldeia. O seu líder sacrificou a sua vida para vencer o monstro e selou o espírito da raposa num bebé órfão recém-nascido. Esse bebé é Naruto. E, desta forma, começa o seu treino junto aos seus amigos, Sasuke e Sakura. 

Poderá Naruto tornar-se um verdadeiro ninja e superar a maldição? 

Além de muitas outras aventuras que o jovem Uzumaki Naruto vai enfrentar, ele aprenderá novas técnicas, ficará mais forte e assim cada vez mais próximo de alcançar o seu sonho.


Opinião:

Naruto é um anime é apaixonante não só pela história que nos cativa desde o primeiro episódio como, principalmente, pelas caraterísticas e evolução dos seus personagens. A personagem que considero mais fascinante é mesmo o protagonista, que nos cativa pelo seu enorme coração, apesar do seu modo incrivelmente desajeitado e, por vezes, inconveniente, falo é claro de Naruto Uzumaki.

Este anime foi criado em 2002, sendo a adaptação de uma série manga iniciada em 1999 por Masashi Kishimoto, que foi lançada numa revista semanal de mangas japonesa, a Shonen Jump

Naruto sofreu uma segunda parte intitulada Naruto Shippuuden que foi publicada semanalmente na Shonen Jump e exibida pela TV Tokyo. Para quem não conhece este anime e gosta deste tipo de programas, ou até mesmo para quem procura apenas um bom passatempo recomendo-o vivamente! Sei que nem todos temos os mesmos gostos, mas posso dizer por experiência própria que é difícil ficar indiferente a Naruto e à trama que se desenvolve à volta deste personagem, bem como a todos os outros personagens que compõem o rico universo de Naruto.

Naruto tem uma legião de fãs cada vez maior, tendo  vindo a tornar-se num dos animes mais populares da sua geração. Não percam!

Naruto
Equipa ninja composta por Sasuke, Kakashi, Sakura e Naruto (da esquerda para a direita).


O melhor: O carisma do protagonista!


O pior: Algumas das personagens mais prometedoras do anime não são devidamente aproveitadas pelo autor.
fevereiro 11, 2017

Silêncio, Martin Scorsese | Opinião Filmes

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Silêncio
Poster do filme Silêncio.
Realização: Martin Scorsese 
País(es): Estados Unidos da América, Itália, Japão, México 
Ano: 2016 
Género: Drama Histórico 
Elenco: Andrew Garfield, Adam Driver, Liam Neeson, Tadanobu Asano 


Sinopse:
Século XVII. Dois padres jesuítas portugueses, Sebastião Rodrigues (Andrew Garfield) e Francisco Garupe (Adam Driver), viajam até o Japão numa época onde o catolicismo foi banido. À procura do seu mentor, padre Ferreira (Liam Neeson) os jesuítas enfrentam a violência e perseguição de um governo que deseja expurgar todas as influências externas.

Opinião:

A principal razão que me levou a ver este filme foi os seus principais intervenientes serem portugueses (as personagens, não os atores). A história de dois jovens padres jesuítas portugueses que partem para uma terra hostil à sua fé à procura do seu mentor que, supostamente, renunciou ao catolicismo parecia muito interessante.

Imagem filme Silêncio
Adam Driver e Andrew Garfield interpretam dois jovens jesuítas portugueses que partem para o Japão em busca do seu mentor.


Este filme aborda uma jornada mais espiritual do que de qualquer outro tipo. O modo como a nossa fé pode ser abalada pelas circunstâncias da vida é demonstrado pelo conflito interno do padre Rodrigues (Andrew Garfield), que oscila entre a crença quase absoluta em Deus e a descrença na sua própria força espiritual, perante o sofrimento quer do próprio e do outro.

Imagem filme Silêncio
Andrew Garfield numa cena intensa com Liam Neeson.

Silêncio é um filme intenso que, por um lado, mostra a crueldade e intolerância religiosa de um líder contra o seu próprio povo e os padres jesuítas que eram como líderes dessa fé, logo podiam representar uma grande ameaça aos interesses do Japão, que não pretendia ser comandado pela Igreja Católica, por outro lado, temos uma grande e intensa luta interna de um homem para manter a sua fé em Deus, perante toda a maldade que vai testemunhando contra os cristãos japoneses, pessoas que ele aprende a respeitar como nunca julgou ser possível.

Silêncio
A fé pode ser forte mesmo quando as circunstância são terríveis.

O inquisidor Inoue é o principal antagonista com que nos deparamos neste filme dirigido por Martin Scorsece, é um homem idoso de aspeto frágil e até bobo, que se recusa a aceitar a evolução espiritual para o cristianismo do seu povo e que com métodos arcaicos de humilhação, tortura e até morte contraria essa tendência. Mas Inoue sabe que para realmente eliminar o problema precisa que alguém dê o máximo exemplo de abandono dessa fé, os padres jesuítas são os líderes espirituais da igreja que guiam os fiéis, são eles que alimentam a fé dos inúmeros camponeses cristãos do Japão, logo quem melhor do que eles para dar o derradeiro exemplo ao seu povo desordeiro. Uma estratégia de louvar, não pela crueldade dos seus atos, mas pela inteligência da sua estratégia, qual militar que, provavelmente, foi ao longo da sua longa vida.

Silêncio
O governo do Japão utiliza todas as armas ao seu dispor para cortar as raízes do cristianismo no país.

O padre Ferreira (Liam Neeson) é uma incógnita, quer no seu paradeiro, quer na sua situação espiritual, não posso revelar o que realmente aconteceu com ele, porque acabaria por estragar o prazer de assistir a Silêncio a quem ainda não assistiu.

Antes de ver o filme perguntaram-me qual seria a razão para que o seu título fosse Silêncio. Na altura não sabia, agora sei a resposta, que é bastante simples e ao mesmo tempo complexa. É aquilo que mais abala a fé do homem em Deus nos momentos mais difíceis da sua vida, o seu silêncio perante o sofrimento da sua maior criação: o homem.

Não é um filme leve, é um filme profundo que nos faz pensar na nossa própria fé, na capacidade do seu humano de lutar e se sacrificar por algo em que acredita, e que nos causa desconforto, um desconforto que dura algum tempo. Quando acabei de ver este filme não sabia dizer se gostei ou não, mas tal tem a ver com a sua forte mensagem e com o seu final pouco feliz, uma coisa é certa não me arrependo de o ter visto, muito pelo contrário.


O melhor: O retrato perfeito de um Japão antigo que se isola e se recusa a abrir para o mundo, que ao mesmo tempo abraça e rejeita uma fé diferente de tudo aquilo que conhece.

O pior: Andrew Garfield, por alguma razão é um ator escolhido para grandes filmes que não me convence, talvez não seja falta de talento, mas falta de carisma frente às câmaras. Sinto que ele não nos “apaixona”, não nos desperta grandes emoções digamos assim.
fevereiro 07, 2017

A Luz entre os Oceanos, Derek Cianfrance | Opinião Filmes

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The Light Between Oceans
Filme "A Luz entre os Oceanos"

Título Original: The Light Between Oceans
Realização: Derek Cianfrance
País: Estados Unidos da América, Reino Unido, Austrália, Nova Zelândia
Ano: 2016
Género: Drama, Romance
Elenco: Michael Fassbender, Alicia Vikander, Rachel Weisz, Bryan Brown, Jack Thompson
IMDb:http://www.imdb.com/title/tt2547584/


Sinopse:
Depois da Primeira Grande Guerra, um soldado traumatizado que foi aclamado como herói regressa à sua Austrália natal para trabalhar num farol. Lá, apaixona-se por uma mulher. Casam-se. Tentam ter filhos, mas perdem o bebé em todas as gravidezes. Um dia, encontram um barco a remos com o cadáver de um homem e uma bebé recém-nascida, que adoptam como deles. E é aí que os problemas começam.


Opinião:

A Luz Entre Oceanos é uma história sobre o bem e o mal, e de como, por vezes, se confundem.


O nosso herói, Tom Sherbourne (Michael Fassbender), é um ex-soldado, que sobreviveu à violenta frente de batalha da Primeira Guerra Mundial, agora (em 1918), regressado a casa vive atormentado pelos fantasmas da guerra que o perseguem. É num farol, situado numa ilha isolada na costa da Austrália, que espera encontrar a paz ou pelo menos a expiação pelos seus pecados, mas é onde precisamente acaba por encontrar muito mais do que isso, como o amor, a esperança e a redenção. 

Isabel (Alicia Vikander) é uma jovem mulher, bonita e cheia de vida que, apesar de ter perdido os irmãos na mesma guerra à qual Tom sobreviveu, não perdeu a fé na vida e que sonha em construir uma grande família.

Tom e Isabel apaixonam-se, apesar de resistência de Tom, e iniciam uma nova vida, na Ilha de Janus, onde um farol que ilumina dois oceanos será a única testemunha de uma grande história de amor, que contudo, é assolada por uma tragédia.

A Luz Entre os Oceanos
Tom e Isabel no seu casamento.

Após dois abortos, Isabel e Tom vêm os seus sonhos de criar uma grande família se esmorecerem, até que o destino lhes traz uma bebé, à qual dão o nome de Lucy e criam como se fosse o bebé que acabaram de perder, mas o destino acabará por fazer ver a Tom que o que ambos fizeram trouxe um grande sofrimento a outra pessoa, Hannah Potts (Rachel Weisz), a mãe biológica da criança, que no mesmo dia perdeu o marido e a filha bebé. Será, portanto, num enorme mar de culpa que Tom irá mergulhar e se consumir durante alguns anos, até que de modo bastante egoísta (na minha opinião), sem avisar a esposa para os acontecimentos que irão mudar as suas vidas, decide se redimir.

A Luz Entre os Oceanos
Uma família amorosa.
Tom vai ter então que lidar com a perda de Lucy e da esposa Isabel, ao mesmo tempo que Hannah irá se debater com a consciência de que a sua filha considera outra mulher como sua verdadeira mãe, todas as personagens irão sofrer e provavelmente continuarão a sofrer após os acontecimentos que as marcarão para sempre.

A história da mãe da bebé também é muito interessante, é uma pena que uma grande atriz como a Rachel Weisz não seja mais aproveitada, mas ela está muito bem em todas as suas cenas.

A menina que é resgatada do mar, Lucy-Grace, é super fofa. Acho que a menina tem talento e desenvoltura à frente das câmaras. Pode ser que tenha futuro como atriz, ainda é cedo para dizer, mas quem sabe…

Um filme com uma mensagem poderosa, mas que não deixa de ser imensamente romântico. Há quem diga que é um filme demasiado melodramático que apela em excesso às lágrimas, eu cá não achei, só no final é que derramei uma ou duas lágrimas, talvez tenha sido por falta de sentimentalismo, sei lá. Concluindo, este filme é extremamente simples na sua história e, ao mesmo tempo, intenso nas emoções que nos desperta. Adorei e aconselho vivamente.

O melhor: A química entre os atores que formam o casal de protagonistas (Michael Fassbender e Alicia Vikander) que se tornaram num casal verdadeiro após as filmagens deste filme.

O menos bom: Não podendo apontar nada como mau, aponto talvez a rapidez com que o casal de protagonistas se envolveu, sem vermos o evoluir da sua relação e, talvez a lentidão de alguns momentos do filme. Mas nada que lhe tire a graça.

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