julho 31, 2018

Recordando o anime Claymore

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Título original: Kureimoa
Diretor: Hiroyuki Tanaka
Estúdio: Madhouse
País: Japão
Ano: 2007
Episódios: 26
Género: Aventura, Ação, Fantasia
IMDb: https://www.imdb.com/title/tt0985344/


Sinopse:
Num mundo invadido por criaturas mortíferas que se alimentam de carne e visceras humanas chamadas "youmas", uma jovem mulher de olhos prateados, Clare, trabalha em nome de uma organização que treina jovens mulheres com sangue youma em guerreiras com a habilidade para destruir essas criaturas.
Considerada uma rebelde por acolher uma criança esfomeada e quase se perder para o seu lado youma "despertando", ela é constantemente mandada em missões extremamente perigosas pela Organização.

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Clare é a protagonista improvável de Claymore.

Este artigo contém alguns spoillers relativamente ao enredo do anime Claymore.

Recentemente, começei a assistir ao famoso anime Attack on Titan (e já fui tarde eu sei!) e foi esse anime que me fez recordar Claymore, um dos meus anime favoritos, porquê? Primeiro, devido a algumas semelhanças no cenário medieval, depois no enredo, cujos principais antagonistas são monstros devoradores de carne que conseguem se disfarçar entre os humanos para fazer mais estragos. Além disso, desconfio que ambos os animes seguem no mesmo sentido (fição científica), apesar de ainda não ter a certeza relativamente a Attack on Titan... 


1- A História

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Prsicilla, Clare e Teresa (da esquerda para a direita).


Estamos num mundo medieval composto por um único continente, nesse continente existe uma ameaça à sobrevivência da humanidade. Que ameaça é essa? São os youmas, monstros devoradores de carne humana que ao mesmo tempo conseguem se disfarçar dos humanos que consomem e assim enganar as suas famílias e invadir aldeias para alimentar-se de mais vítimas.

Os seres humanos não conseguem combater os youmas sozinhos, não lhes restando outra solução a não ser recorrer aos serviços da Organização que mediante um pesado pagamento envia uma guerreira Claymore para extreminar os youmas.

As Claymore são guerreias cujo DNA é metade humano metade youma, isto devido a experimentos levados a cabo pela Organização que consistem em injetar carne e sangue youma em crianças do sexo feminino. São geralmente escolhidas entre crianças abandonadas ou cujas famílias foram consumidas por youmas, a exceção é Clare que após a morte de Teresa se oferece para trabalhar para a Organização. O seu objetivo é a vingança contra Priscilla, a Claymore, agora ser despertado, que matou Teresa, a sua "mãe adotiva".

Devido ao seu DNA híbrido, as Claymore possuem algumas características físicas semelhantes  entre si, possuindo olhos prateados e cabelos loiros/esbranquiçados, força sobrehumana e regeneração acelerada, contudo, cada uma delas possui um poder específico. Todas elas usam o mesmo uniforme e uma poderosa espada gigantesca chamada claymore de onde advém o seu nome, e trabalham sozinhas.

Caso alguma Claymore não consiga completar a sua missão a aldeia fica isenta de pagar pelo serviço. Além disso, elas não recebem o dinheiro após completarem a missão, sendo um homem vestido de preto, pertencente à Organização, que vem coletar o pagamento assim que a Claymore acaba o serviço e parte. Caso a aldeia não pague, eles não tornarão a receber qualquer ajuda por parte da Organização quando voltarem a ser atacados por youmas, acredita-se, inclusive, que a Organização de algum conduz os youmas para as aldeias que não conseguem proceder ao pagamento, sendo responsável pelo massacre de aldeias inteiras.

Também devido aos seus traços e poderes híbridos, as Claymore são desprezadas pelos mesmos humanos que solicitam a sua ajuda para sobreviver. Os outros humanos não deixam de as comparar aos youmas e de as temer. Elas são chamadas como "bruxas de olhos prateados" ou "monstros".


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Clare e Teresa.

Ao longo do anime várias descobertas relativamente à história destas guerreira são feitas,  entre outras coisas descobrimos que caso a Claymore libere demasiado poder youma, ela chegará a um ponto de não retorno, tornando-se num ser despertado (como aconteceu com Priscilla), isto é, numa espécie de youma mais forte, poderoso e inteligente. Neste caso outras Claymore são chamadas para extreminá-la e assim evitar que se torne num grande perigo para a humanidade. Descobrimos também que ao todo existem 47 Claymores e que elas são numeradas de acordo com a sua força, sendo a mais forte a número 1 até à mais fraca, a Claymore número 47, que é, imaginem, a protagonista da história, Clare.

Todas as Claymore são mulheres porque se revelou impossível para os homens controlar o seu lado youma, levando a despertares prematuros e ao surgimento de criaturas extremamente poderosas como Isley, apelidado "rei prateado" devido aos seus longos cabelos prateados.



2- As Personagens

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Um dos pontos mais fortes deste anime são as suas personagens, sendo Claymore um anime extremamente rico em personagens e igualmente rico no desenvolvimento dessas mesmas personagens, sejam elas protagonistas ou personagens secundárias. Claymore é também um anime marcado pela morte de muitas personagens, algumas de extrema importância para a história como Teresa e Jean. Passo a enumerar algumas das personagens mais importantes do anime.


2.1- Clare

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Não sejas tão rápido a desperdiçar a tua vida. Por mais vergonhoso que possa ser, precisas de continuar a lutar para descobrir um caminho até ao final.

Num anime shonen encontrar como protagonista uma mulher é algo relativamente raro e, nesse ponto Claymore é um anime que marca pela diferença. No início da história não sabemos praticamente nada sobre Clare, quem ela é? De onde vem? E muito menos como se tornou numa Claymore? Mas são as suas missões enquanto Claymore e a grande revelação do seu passado que contribuirão para o evoluir do anime.

Clare é, surpreendentemente, a Claymore mais fraca da sua geração, o que acaba por ser um choque para o espetador, uma vez que desde o início do anime que somos levados a considerá-la como uma guerreira forte e competente.

Logo no início do anime, Clare salva um rapaz, Raki, que passará a segui-la e se tornará no seu escudeiro e cozinheiro muito contra a vontade da própria, mas não querendo abandonar o rapaz, ela deixa que ele a acompanhe nas suas perigosas viagens.

Clare é a principio uma personagem séria e reservada, mas com o tempo e com o evoluir da sua relação com Raki vamos conhecendo mais sobre esta mulher misteriosa. Clare é na verdade muito boa a esconder as suas emoções que acabam por ser muito mais intensas do que as emoções das outras Claymore da sua geração.

Quando finalmente é nos revelado o seu passado, tudo passa a fazer sentido, inclusive, o porquê de Clare ser a Claymore mais fraca da Organização. Na verdade, Clare apenas possui 1/4 de DNA youma, ao contrário das colegas que possuem 1/2 de DNA youma, uma vez que foi o DNA da Claymore Teresa (a Claymore número 1 da geração anterior) que foi colocado no seu corpo.

Teresa foi uma figura extremamente importante para Clare, que após ser salva por Teresa de um youma que matou a sua família e a manteve em cativeiro, passa a seguir Teresa, que a principio a rejeita, mas com o tempo Teresa acaba por se tornar numa mãe para Clare, isto até ao dia em que a Organização envia outras quatro Claymore para assassinar Teresa...


2.2- Teresa

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Mesmo que seja uma regra, sou eu que decido se a sigo ou não. Caso eu obedeça ou quebre a regra e seja morta pelas minhas companheiras a escolha é minha.

Teresa, conhecida com "Teresa do sorriso aparente" por sempre assassinar os seus alvos com um sorriso no rosto, foi em tempos a Claymore número 1 da Organização e é considerada a Claymore mais poderosa de toda a história das Claymores, tão poderosa que quando as quatro Claymores no ranking imediatamente abaixo dela foram designadas para a assassinar, elas duvidaram se o conseguiriam fazer.

Apesar de ter falecido antes dos acontecimentos narrados do anime, a sua importância para o desenrolar de toda a história foi por demais crucial e nos poucos episódios em que aparece, a sua marca é inquestionável como uma das personagens mais fascinantes do anime e, possivelmente, de todo o manga.

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Teresa e Clare.

Teresa era uma guerreira fria e sem sentimentos que só se importava em completar as suas missões. No entanto, tudo muda quando uma criança obstinada que ela salvou de um youma que a mantinha sequestrada se cruza no seu caminho. Essa criança é Clare e, se inicialmente, Teresa a tentou afastar friamente do seu caminho, a teimosia da criança em segui-la acabou por vencer a resistência de Teresa. Contudo, Teresa sabia que a vida de uma Claymore não o melhor modo de vida para uma criança e tentou deixar Clare em segurança numa vila, mas neste mundo instável uns bandidos invadiram a vila e abusaram da criança, ao tomar conhecimento disso, Teresa acaba por matar os bandidos num acesso de fúria, quebrando a regra de não matar humanos aconteça o que acontecer, o que faz com que a Organização mande outras Claymore para assassiná-la.

Priscilla, Irene, Noel e Sofia, as Claymore mais poderosas depois de Teresa são simultaneamente enviadas para matá-la, mas Teresa consegue derrotá-las com espantosa facilidade, sem inclusive liberar 10% dos seus poderes. Apesar disso, Teresa viu o potencial de Priscilla para a ultrapassar no futuro e ponderou matá-la, mas o seu lado humano não o permitiu e tenta partir com Clare. Todavia, Priscilla não desiste e persegue-as, mas no seu descontrolo acaba por liberar demasiado youki e iniciar o processo de despertar, ela engana Teresa pedindo que esta a mate e impeça o seu despertar, mas quando Teresa vai fazer isso ela corta os seus braços e a sua cabeça despertando de seguida.

A morte de Teresa foi o momento mais triste do anime e também aquele que mais me marcou. Ver o sofrimento e choque de Clare foi desesperante. Foi também a morte de Teresa que levou Clare a se tornar numa Claymore e perseguir Priscilla como o seu objeto de vingança.


2.3- Priscilla

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O meu papá... Devolve o meu papá... Ele era tão gentil para mim. Eu amava-o tanto, mas ele comeu as vísceras da minha mãe, do meu irmão e da minha irmã mesmo à minha frente. Foi por isso que eu o matei! Eu colocei-me atrás dele enquanto ele devorava a minha irmã e cortei a sua cabeça!

A grande antagonista do anime, Priscilla foi, antes de despertar, a Claymore número 2, perdendo apenas para Teresa. Ela conquistou o posto de Claymore número 2 quando ainda era relativamente jovem e tudo isso em apenas algumas meses após se tornar Claymore. Foi a sua imaturidade que a levou a um despertar prematuro durante a luta contra Teresa, uma vez que não conseguiu aceitar a derrota e libertou demasiado poder youki. Priscilla tornou-se no ser despertado mais poderoso da história.

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Priscilla na sua forma despertada.

Após despertar e matar Teresa, Noel, Sofia e deixar Irene gravemente ferida, Priscilla foge para o Norte, onde se cruza com Isley, um guerreiro número 1 que despertou, derrotando-o e fazendo com que ele lhe jurasse fidelidade. No entanto, ela perde a memória e sabendo que não a consegue derrotar, Isley ajuda-a e promete levá-la para o Sul, onde, na sua mente instável, ela julga que irá reencontrar a sua família (morta por um youma à muito tempo atrás).


2.4- Irene

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Vive, Clare! Permaneceres viva é a prova de que Teresa sempre existiu.

Irene é outra Claymore extremamente poderosa. Inicialmente, a Claymore número 2 da geração de Teresa, ela perde a posição e passa a número 3, após o aparecimento de Priscilla.

Irene, Noel, Sophia e Priscilla são enviadas para assassinar Teresa, contudo, as coisas saem de controlo com a derrota e o consequente despertar de Priscilla que finalmente consegue assassinar Teresa. Irene é a primeira a atacar Priscilla despertada, mas perde o braço esquerdo e Priscilla foge. Sabendo que sem o braço seria eliminada pela Organização, Irene simula a sua própria morte e desaparece sem deixar rasto.

Irene era conhecida pela sua incrivel velocidade a manejar a espada, sendo conhecida como "espada da luz", a razão para isso é que ela emana todo o seu poder youki para o braço que segura a espada.

Ela era um Claymore extremamente calma e inteligente. Quando reencontra Clare vários anos depois, ela a salva e a leva para o seu esconderijo, ensinando-lhe a técnica da "espada da luz". Além disso, Irene cede o seu outro braço a Clare, uma vez que iria permanecer escondida e não precisaria do braço, mais tarde ela é visitada por outra Claymore, Rafaela, que é enviada para assassinar Irene. O resultado dessa luta não é demonstrado no anime, mas no manga é revelado que Irene permanece com vida no final da história.

Irene é uma das minhas personagens favoritas do anime e, tal como Teresa, ela acaba por se tornar numa espécie de mentora para Clare.


2.5- Raki

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Raki é o rapaz humano a quem Clare salva a vida, após a sua família ser devorada por um youma, que passa a segui-la, tornando-se no seu escudeiro e cozinheiro.

Raki é um rapaz alegre e falador que passa a admirar Clare, tendo a ambição de se tornar num grande caçador de youmas ele próprio para poder proteger Clare. No fundo, a sua história é muito semelhante à história de Clare.

Na minha opinião, Raki é uma personagem com pouco interesse para a história, se nos primeiros cinco episódios, o mais fracos do anime, até julguei que ele se fosse revelar numa personagem importante para a evolução de Clare, a verdade é que as coisas não acabaram por seguir nesse sentido fazendo dele uma personagem chata e desnecessária. Mas Raki não deixa de ser o humano mais importante da história. Apesar disso, quem já leu o manga afirma que o anime não fez justiça a esta personagem.
julho 29, 2018

Hotel Artemis, Drew Pearce | Opinião Filmes

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Poster do filme.

Título original: Hotel Artemis
Realizador: Drew Pearce
País: EUA
Ano: 2018
Género: Ação, Thriller, Crime
Elenco: Jodie Foster, Sterling K. Brown, Jeff Goldblum, Dave Bautista, Sofia Boutella, Brian Tyree Henry, Jenny Slate, Zachary Quinto, Charlie Day, Kenneth Choi
IMDb: https://www.imdb.com/title/tt5834262/


Sinopse:
Num futuro próximo, no subsolo de um hospital em Los Angeles, os criminosos mais sinistros da cidade recebem cuidados especiais. A enfermeira (Jodie Foster), que controla o lugar, acaba descobrindo que um de seus pacientes está lá para cometer um assassinato.

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Jodie Foster é a protagonista de Hotel Artemis.

Opinião:
Hotel Artemis é o mais recente filme estrelado por Jodie Foster, atriz consagrada e de grande talento, mas é também um filme recheado de muitos outros atores de grande talento, cada um com os seus próprios pontos fortes como Sterling K. Brown, Jeff Goldblum, Dave Bautista e Sofia Boutella, entre outros.

A história gira em volta de um hotel chamado Artemis e que não é mais do que um local seguro para criminosos que necessitam ao mesmo tempo de guarida e cuidados médicos. Jodie Foster encarna o papel da Enfermeira, uma mulher de idade que trata os criminosos que ficam hospedados no hotel.

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Sterling K. Brown é Waikiki, um ladrão azarado.

Estamos alugueres num futuro próximo e Los Angeles, cidade onde decorre a ação do filme, parece ser tudo menos uma cidade pacífica. Um grande motim toma conta da cidade, uma vez que uma poderosa companhia cortou a água potável da cidade, e um grupo de assaltantes aproveita-se da confusão para realizar um grande assalto, mas as coisas não correm como o esperado e Waikiki (nome de código) acaba por ter que recorrer ao hotel Artemis em busca de tratamentos médicos para si e para o seu irmão e ao mesmo tempo de um local onde se esconder da polícia. Mas nesse hotel estão outros criminosos, nomeadamente, a bela Nice que parece ter os seus próprios planos para ali estar e o traficante de armas Niagara, uma das personagens mais irritantes e estúpidas do filme. Contudo, o principal hospede deste hotel caricato ainda está por chegar e com ele teremos algumas importantes revelações sobre o passado da protagonista e a verdadeira missão de Nice.

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O Hotel Artemis terá uma noite extremamente agitada.

Confesso que fui ao cinema à espera de outro tipo de filme, visto que Hotel Artemis foi-me apresentado como um filme e ação e fição científica, contudo, discordo. Trata-se, essencialmente, de um filme de ação e crime e mesmo assim a ação não é assim tão alucinante como julguei e fosse. No fundo, este filme tenta-se se fazer valer pelas interpretações dos seus protagonistas e nesse sentido, Jodie Foster é e sempre será uma grande atriz. Neste caso, ela consegue encarnar uma mulher idosa, alcoólica, que não consegue sair do hotel devido a graves ataques de pânico e com um grande trauma do passado, que foi a morte do filho Beau. Os outros atores também estão muito bem, mas a história segue num sentido que explora os acontecimentos de modo demasiado fácil e rápido. Todos os acontecimentos do filme até podem estar munidos de razão, mas aconteceram de modo demasiado inconsistente para serem apreciados a cem por cento.

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Dave Bautista é Everest, o braço direito da Enfermeira.

Destaque para Sofia Boutella, atriz que para além de lindíssima é também bastante talentosa e que depois de interpretar a poderosa múmia no filme A Múmia ganha aqui um papel que explora ainda mais as suas capacidades. Dave Bautista também está muito bem, num papel muito estereotipado de gigante gentil (Everest) é certo, mas bastante bem conseguido.

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A bela Sofia Boutella é Nice, uma femme fatale.

A banda sonora também é incrível e juntamente com o cenário dá um toque vintage ao hotel Artemis, um local onde as cores escuras dão um toque misterioso e sombrio.

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Waikiki e Nice têm um passado em comum.

O melhor: Como não podia deixar de ser, a representação de Jodie Foster.

O menos bom: Alguma inconsistência em certos pontos-chave do enredo e a personagem de Jeff Goldblum que não tinha nenhum objetivo concreto para a obra.
julho 21, 2018

A Arte Subtil de Saber Dizer que se F*da, Mark Manson | Opinião Livros

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Capa do livro.


Sinopse:
Uma abordagem que nos desafia os instintos e nos força a questionar tudo o que sabemos sobre a vida.
Durante décadas convenceram-nos de que o pensamento positivo era a chave para uma vida rica e feliz. Mas esses dias chegaram ao fim. Que se f*da o pensamento positivo! Mark Manson acredita que a sociedade está contaminada por grandes doses de treta e de expectativas ilusórias em relação a nós próprios e ao mundo.
Recorrendo a um estilo brutalmente honesto, Manson mostra-nos que o caminho para melhorar a nossa vida requer aprender a lidar com a adversidade. Aconselha-nos a conhecer os nossos limites e a aceitá-los, pois no momento em que reconhecemos os nossos receios, falhas e incertezas, podemos começar a enfrentar as verdades dolorosas e a focar-nos no que realmente importa.
Recheado de humor e experiências de vida, A Arte Subtil De Saber Dizer Que Se F*da é o soco no estômago que as novas gerações precisam para não se perderem num mundo cada vez mais fútil.

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Pessoalmente, acho muito difícil e fugaz a abordagem do pensamento positivo, como se o mundo fosse todo cor-de-rosa e tal, o que não querer dizer que não hajam coisas boas no mundo, muito pelo contrário, existem coisas boas e coisas más. Esta nova abordagem de Mark Manson surgiu como uma lufada de ar fresco, estranhamente libertadora para quem, como eu, vive no stress do dia a dia e tenta seguir em frente, apesar dos percalços pelo caminho.

Ter sempre um pensamento positivo é humanamente impossível, digam o que disserem, e este livro acaba por ter um título que diz tudo. Às vezes temos que desistir de objetivos em prol de outros e saber priorizar os diferentes aspetos da nossa vida. O que é que nós mais valorizamos na vida?

Nós não somos culpados pelo que acontece de mal nas nossas vidas, mas cabe a nós enfrentar os reveses da vida e persistir na dor e adversidade, em suma, cabe-nos lutar. Essa é a principal mensagem deste livro. Curiosamente, é aquele tipo de mensagem que deveria ser de senso comum, mas que na realidade acaba por ser reveladora.

Num mundo cada vez mais fútil, onde as pessoas tentam passar por cima umas das outras para saírem vencedoras numa atmosfera altamente competitiva nós somos os principais influenciadores do nosso futuro.

Gostei deste livro até à parte em que o autor fez questão de engrandecer a morte e quase apelar às experiências de quase morte para podermos evoluir enquanto seres humanos, aí Mark Manson passou a fronteira entre um bom conselheiro e um excêntrico revolucionário. Não querendo questionar as teorias do autor aconselho a lerem este livro com alguma leveza e a não o levarem demasiado a sério. Comecei por adorar o livro, mas no final senti me extremamente desconfortável com as teorias do autor acerca da morte.

Notei algumas incongruências nas histórias que o autor contou sobre várias personalidades do passado, mas isso apenas porque tive a curiosidade de ir pesquisar sobre as pessoas acerca das quais ele falava. Conclui com a minha pesquisa amadora que Mark Manson exagerou em alguns aspetos da vida dessas personalidade apenas para fazer valer o seu ponto de vista, algo que acho desleal para com os seus leitores.

Em relação à escrita, achei-a direta e bastante clara, daquele tipo de escrita que nos impulsiona a ler sem parar durante várias páginas. Em relação à mensagem gostei e concordo com o autor em vários aspetos, como de resto já afirmei, só discordo com a excessiva importância que ele dá à morte, o que é desconfortável para quem pretende, ao ler um livro de auto-ajuda, ter uma visão mais otimista e motivadora perante a vida.

Segue abaixo uma das minhas citações favoritas do livro:
Sofremos pelo simples fato de que sofrer é biologicamente útil. O sofrimento é o agente preferido da natureza para inspirar mudanças. A evolução nos fez viver constantemente com certo grau de insatisfação e insegurança, porque é a criatura levemente insatisfeita e insegura que faz o máximo para inovar e sobreviver. Somos programados pela natureza para ficar insatisfeitos com tudo que temos e desejar apenas o que não temos. Essa insatisfação permanente faz nossa espécie seguir lutando e progredindo, construindo e conquistando. Então, não: nossa dor e tristeza não são uma falha da evolução humana. Pelo contrário: são um recurso essencial dela.


O melhor: Uma abordagem diferente e libertadora sobre a vida.

O menos bom: A excessiva importância que o autor dá ao tema da morte.


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Sobre o autor:
Mark Manson cresceu em Austin, no Texas, viveu em Boston e viajou por todo o mundo durante sete anos. É um autor bestseller do The New York Times e escreve sobre uma grande variedade de temas, no âmbito do desenvolvimento pessoal. Para além da sua atividade de bloguer e empreendedor, publica regularmente artigos com a BBC, CNN, Business Insider, Time, entre outros. Vive atualmente em Nova Iorque.
julho 15, 2018

Mindfulness - Atenção Plena, Mark Williams e Danny Penman | Opinião Livros

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Capa do livro Mindfulness - Atenção Plena.

Sinopse:
O que vai encontrar neste livro é simples: um programa de oito semanas destinado a romper de uma vez por todas com o ciclo de ansiedade, stress, infelicidade e cansaço que o atormentam. São exercícios breves, testados clinicamente, e com efeito duradouro. Porque a paz e tranquilidade que conquistar agora vão passar a estar sempre presentes na sua vida. O livro baseia-se num programa (MBTC) desenvolvido pelo professor Mark Williams juntamente com investigadores das universidades de Cambridge e Toronto. Originalmente desenhado para combater a depressão, o MBTC revelou-se, em estudos clínicos, pelo menos tão eficaz como os antidepressivos – e sem os respetivos efeitos secundários. Na prática consiste em exercícios diários, de dez a vinte minutos, destinados a aumentar a nossa atenção plena (mindfulness). Ou seja, ajuda-nos a perceber o que estamos a pensar a cada momento e o efeito que esses pensamentos têm no nosso bem estar. A partir daí, conseguimos romper com o passado e acabar com hábitos nocivos. A eficácia do programa é extraordinária. E o que lhe é pedido é apenas que comece, e nessa caminhada será ajudado pelo CD de meditação guiada. Se acha que é complicado, sugerimos apenas que leia a Meditação do Chocolate para perceber até que ponto ser mais feliz exige apenas um bocadinho de atenção plena.

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Opinião:

Mindfulness é uma prática que tem ganho cada vez mais adeptos nos últimos tempos. Uma prática pela qual tenho sentido cada vez mais curiosidade e vontade de experimentar. Mas a principal razão que me fez comprar este livro foi o CD com meditações guiadas que vem com ele, porque isto da teoria é muito bom, mas como é que passamos à prática?

Apesar da minha enorme curiosidade em relação ao CD, eu aguentei até ler o livro para finalmente ouvir o que estava no CD, daí ter demorado imenso tempo com este livro, pois o seu conteúdo apesar de interessante é demasiado teórico e, portanto, um pouco maçudo para ler de uma vez só como costuma acontecer quando estamos a ler um bom romance, então fui intercalando esta leitura com outras obras.

O ponto mais interessante do livro tem a ver com a sua componente prática, devo disser que nunca um livro me compeliu a praticar meditação como este, desde as pequenas tarefas que os seus autores sugeriam, até ao CD com meditações guiadas, este livro foi um achado.

Recomendo este livro a todas as pessoas que querem exprimentar esta prática de meditação e concluir por si mesmas se isto do Mindfulness resulta mesmo. Mas é necessário cumprir à risca o plano de oito semanas que este livro orienta para que consigamos tirar proveito das valiosas intruções que podemos encontrar nesta obra.

Demorei imenso a ler este livro, pelo meio parei para ler outras obras e ainda tive tempo para umas férias que adorei! Mas posso afirmar que este livro vale mesmo a pena.

Não é todos os dias que nos surge uma obra tão motivadora quanto esta, isso é certo.

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Cá em casa até o Odie aderiu à prática do Mindfulness!

O melhor: O CD com meditações guiadas que nos permite passar da teoria à prática.

O menos bom: Este livro requere bastante presistência para que consigamos cumprir o seu plano de oito semanas.
julho 13, 2018

A Mulher de Cabelos Loiros e o Homem do Chapéu, Deborah McKinlay | Opinião Livros

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Capa do livro.

Sinopse:
Tudo começa com uma carta.
Eve Petworth escreve-a com o objetivo de felicitar um dos seus escritores favoritos.
Jackson Cooper lê-a e, embora tenha tudo o que um escritor de fama mundial possa desejar, sente uma ligação imediata com a sua autora. Algo que, percebe então, o sucesso e o dinheiro não compram.
Não se conhecem pessoalmente e têm pouco - ou mesmo nada - em comum. Eve é inglesa e vive voluntariamente enclausurada em casa.
O mundo fora de portas angustia-a. As relações sociais paralisam-na. É uma romântica que se condenou à solidão.
Jackson é americano e vive rodeado de pessoas, principalmente mulheres. Mas ninguém consegue ajudá-lo a ultrapassar o bloqueio criativo que o atormenta secretamente. É um artista sem rumo.
Em jeito de evasão, Jackson transfere o seu impulso criativo para a cozinha. Infelizmente, a sua nova namorada é vegetariana e pouco dada a devaneios gastronómicos. Essa é uma lacuna que Eve está mais do que habilitada a preencher, dada a energia que dedica às mais delicadas e complexas iguarias. E quando trocam receitas e segredos culinários, a distância entre ambos quase se extingue. Uma distância que é simultaneamente reconfortante (para Eve) e tentadora (para Jackson).
O escritor está disposto a arriscar quebrar a magia que esta improvável amizade trouxe à sua vida e propõe um encontro na cidade mais gourmet do mundo: Paris. Não podia saber que a ansiedade patológica de Eve torna esse sonho impossível…

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Opinião:

A sinopse deste livro induziu-me em erro, levando-me a pensar que estava perante um mero e descomplicado romance contemporâneo, mas na verdade A Mulher de Cabelos Loiros e o Homem do Chapéu é muito mais do que isso, muito mais do que a capa cliché típica de um romance e muito mais do que o título demasiado longo para reter rapidamente na memória.

A história deste livro gira em torno de duas pessoas, Eve e Jack, duas pessoas que vivem em lados opostos do mundo, ela vive em Inglaterra, ele na Califórnia, nos Estados Unidos da América, e cujas vidas irão cruzar-se contra todas as expetativas. Mas atenção, não estamos perante um romance escaldante, muito pelo contrário estamos perante uma bela e única amizade entre duas almas gémeas.

Jack Cooper é um renomado escritor de policiais com seis bestsellers, três filmes e um peça de teatro adaptados na carteira, rico e de boa aparência. Ele sempre teve uma vida despreocupada, contudo, prestes a completar cinquenta anos de idade, a sua segunda esposa Marnie acaba de o deixar por outra mulher. Jack entra na famosa crise dos cinquenta anos e, enquanto tenta encontrar um sentido para a  sua vida ao mesmo tempo que enfrenta um bloqueio de escritor, refugia-se naquela que sempre foi a sua grande paixão, a culinária. Quando recebe uma carta de agradecimento de uma fã, o caso podia ter ficado por aqui ou ele não tivesse percebido que partilhava com Eve a grande paixão pela culinária.

Eve é a personagem mais complexa da obra, uma bela mulher de quarenta e seis anos de idade, cuja mãe dominadora e controladora faleceu à cerca de um ano e cuja filha Izzy, com quem nunca conseguiu uma verdadeira ligação de mãe e filha, irá casar em breve. Eve sempre teve uma vida priveligiada em termos materiais, mas a sua vida acaba por ser incrivelmente limitadora no sentido em que não consegue enfrentar multidões sem ser acometida por terríveis ataques de pânico que a dominaram por toda a sua vida, fazendo com que perdesse momentos chave na vida da filha. Assim ela não sai de casa e acaba por se refugiar na cozinha criando incríveis pratos culinários cheios de requinte e absolutamente deliciosos.

A relação entre Jack e Eve se desenrola completamente através das cartas que trocam um com o outro, onde no meio de receitas e dicas culinária, eles acabarão por abrir o coração um para o outro, expondo os seus receios e medos. É extremamente interessante ver como cada um deles enfrenta os seus problemas para poderem crescer enquanto seres humanos. Eve é quem possui mais problemas, quem mais terá que lutar para poder ter uma vida normal e se relacionar com a filha como sempre desejou.

À medida que a amizade entre ambos vai-se aprofundando, Jack propõe que ambos se encontrem em Paris, a mítica cidade dos grandes pratos culinários, e jantem num incrível e requintado restaurante onde poderão provar juntos verdadeiras iguarias culinárias, mas o problema de saúde de Eve poderá tornar as coisas muitos difíceis...

A Mulher de Cabelos Loiros e o Homem do Chapéu é um livro surpreendente, que apesar de pequeno no número de páginas é gigante na mensagem que transmite. Não estamos perante um romance normal, ao invés, estamos perante a vida de duas personagens extremamente normais com as suas fraquezas e as suas qualidades e que juntas aprendem valiosas lições de vida.

Estava com algum receio do final do livro, mas devo disser que não sendo aquilo que eu esperava, este acabou por ser maravilhoso! E mais não digo para não estragar a surpresa.


O melhor: O desenvolvimento da personagem Eve.

O menos bom: Por vezes, as cartas de ambos surgiam de modo abrupto e fora do contexto.
julho 09, 2018

Como Livrar-se do Chefe, Netflix | Opinião Filmes

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Poster internacional do filme Como Livrar-se do Chefe.

Título original: Set it up
Realizador: Claire Scanlon
País: EUA
Ano: 2018
Género: Comédia, Romance
Elenco: Zoey Deutch, Glen Powell, Lucy Liu, Taye Diggs, Joan Smalls, Meredith Hagner, Pete Davidson, Jon Rudnitsky, Titus Burgess, Jake Robinson, Aaron Costa Ganis, Paulie Deo Jr., Noah Robbins, Cody Calafione, Ralph Byers
IMDb: https://www.imdb.com/title/tt5304992/



Sinopse:
Dois viciados no trabalho levam os seus assistentes ao desespero ao ponto de se unirem para fazer com que se apaixonem (Fonte: Netflix).



Opinião:

De vez quando a Netflix lança um filme original do género comédia romântica, de todas as vezes não demoro a assistir a esse filme e de quase todas as vezes acabo por sentir que desperdicei o meu tempo. Felizmente, isso não aconteceu com este filme que apesar de não ser brilhante é bastante competente.

A história de Como Livrar-se do Chefe é bastante simples, dois assistentes descontentes com a sua vida, ou falta dela, encontram-se por acaso e decidem criar um plano para fazer com que os seus chefes se apaixonem um pelo outro e assim deixem de trabalhar tanto, fazendo com que os seus assistentes finalmente tenham algum tempo livre para dedicar à sua própria vida.

Charlie e Harper criam um plano para juntar os seus chefes.

Depois de várias peripécias, o plano parece finalmente dar os seus frutos e os nossos protagonistas finalmente conseguem algum tempo livre, mas, como é suposto, nem tudo são rosas quer na sua vida pessoal, quer na relação que ambos criaram entre os seus respetivos chefes.

Taye Diggs e Lucy Lui são os chefes manipulados neste filme original Netflix.

Harper e Charlie podem conseguir juntar os seus chefes, mas ao mesmo tempo eles têm que lidar com a sua crescente cumplicidade e com os seus próprios escrúpulos, há ainda os seus respetivos interesses amorosos que não correm como esperado.

Concluindo, estamos perante um filme marcadamente cliché, mas que cumpre o seu objetivo que é entreter os seus espetadores. Além disso, este filme aborda os sonhos e esperanças de dois jovens que esperam mais para o seu futuro, mas que acabaram por se acomodar à sua vida mesmo que se sintam profundamente descontentes com o seu rumo.

A convivência entre Harper e Charlie poderá levar a algo mais entre os dois assistentes.

O melhor: As partes de comédia.

O menos bom: O argumento demasiado previsível.

julho 07, 2018

Algo Maravilhoso, Judith McNaught | Opinião Livros

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Capa-do-livro-Algo-Maravilhoso-de-Judith-McNaught
Capa do Livro Algo Maravilhoso.

Sinopse:
Alexandra Lawrence tinha a seu favor o facto de ser bem-nascida e… nada mais. Com o seu aspeto e modos arrapazados - sabia disparar uma arma, pescar, e montar a cavalo tão bem como qualquer homem - não era propriamente a noiva perfeita.
Para piorar as coisas, vivia na penúria, o tio era um bêbado e a mãe uma senhora de temperamento irascível. Não, ninguém diria que seria ela a casar com o abastado, mulherengo e arrogante Jordan Townsende, duque de Hawthorne.
Mas a verdade é que, devido a um infeliz mal-entendido, assim foi.
Alexandra é agora duquesa, mas a sua vida é tudo menos calma. Quatro dias após o casamento, o marido desaparece sem deixar rasto. É sozinha que tem de enfrentar a sociedade londrina, que despreza o facto de um dos "seus" aristocratas ter casado com uma campónia ingénua. Quando Jordan finalmente reaparece, Alexandra já perdeu a inocência dos seus dezassete anos, mas aos poucos vai descobrir que, por detrás da fachada gélida do marido, está um homem ternurento, amável e sensual. Tragicamente, Jordan coleccionou demasiados inimigos e é agora um alvo a abater. Caberá a Alexandra salvar a vida do homem que ama. Uma missão impossível não fosse a sua teimosia em acreditar que o futuro lhes reserva… algo maravilhoso.


livro-Algo-Maravilhoso-de-Judith-McNaught

Opinião:

Depois de ler Para Sempre de Judith McNaught, parti com uma certa apreensão para a leitura de Algo Maravilhoso, uma vez que o trato recebido pela protagonista do livro anterior me revoltou, isto apesar de reconhecer o enorme talento da autora, mas as minhas suspeitas acabaram por se revelar infundadas. A protagonista deste livro foi vítima da sua enorme ingenuidade e inocência num mundo cruel e regido por normas extremamente restritas e em que o homem é visto como um ser superior.

O que me fez comprar este livro foi sem dúvida a sinopse que me cativou completamente, mas a história acabou por levar um rumo diferente daquele que eu suponha o que foi algo realmente muito bom. Alexandra Lawrence cresceu numa pobre aldeia rural, onde o avô, um homem erudita criou a neta à sua medida, tornando-a numa mulher culta, extremamente inteligente e perspicaz. O pai só se dignava a aparecer na vida da criança duas vezes por ano, alturas em que era completamente venerado pela mulher e pela filha, no entanto, após a sua morte, ambas descobrem que ele tinha uma vida dupla em Londres, cobrindo a sua família de Londres com todos os luxos e comodidades e relegando a elas à miséria, mas a ambas as suas famílias ele privou de uma herança já que morreu completamente falido. A partir daí caberá a Alexandra a lide da casa e a difícil tarefa de por comida na mesa. Mas apesar das enormes dificuldades por que passa a jovem de dezassete anos, ela acredita que a vida ainda lhe reserva algo maravilhoso.

Jordan é um duque, um dos homens mais ricos da Europa, um homem de uma beleza deslumbrante que combateu na guerra da Península Ibérica e que cresceu perante as infidelidades de ambos os progenitores e sobre as rígidas regras do pai. Jordan é um homem cínico que não acredita no amor e que coleciona as mais belas amantes de Londres, a sua vida irá se cruzar com a vida de Alexandra, uma jovem que é o seu completo oposto, mas cuja inocência e pureza o acabarão por conquistar, isto após esta lhe salvar a vida e em troca ser completamente comprometida por ele, se bem que de modo acidental já que ele a confundiu com um jovem rapaz. Ambos são forçados a casar um com o outro de modo abruto, mas o seu casamento de conveniência sofre um grande revés quando quatro dias após Jordan é raptado e dado como morto. Após um doloroso período de luto e de uma apresentação à alta sociedade algo desastroso, Alexandra finalmente descobre a verdade sobre o carácter do marido e rapidamente vira o jogo em modo de vingança, tornando-se na mulher mais desejável da alta sociedade, perseguida sem trégua pelos seus inúmeros admiradores.

Por seu lado, Jordan é confrontado com o inferno, numa prisão francesa, e aquilo que o mantém vivo são os sonhos que tem com a sua inocente esposa e o desejo de voltar para os seus braços calorosos, contudo, quando finalmente se vê livre desse pesadelo e retorna a Londres encontra uma mulher completamente diferente daquela que deixou para trás. Conseguirá ele recuperar o afeto da sua esposa e provar que já não é o libertino canalha que planeava abandoná-la? Ao mesmo tempo a vida de Jordan está em risco e os suspeitos são as pessoas que ele mais ama.

Algo Maravilhoso tornou-se facilmente num dos meus livros de romance histórico preferidos com uma história envolvente e dois protagonistas carismáticos e de personalidades marcantes. Judith McNaught não me fez esquecer o modo como a Victoria foi tratada em Para Sempre, mas absolveu-se um pouco ao tornar Jordan muito mais meigo e compreensivo do que Jason (nunca lhe vou perdoar aquela noite de núpcias...).


O melhor: Ver o amadurecimento de Alexandra, de menina ingénua em mulher sedutora e ver a mudança de Jordan de libertino canalha num homem completamente apaixonado pela esposa.

O menos bom: Ter que aceitar o excesso de ingenuidade de Alexandra que, por vezes, beirava o ridículo.


Sobre a autora:

Judith McNaught nasceu nos Estados Unidos. Antes de se dedicar inteiramente à escrita, teve uma carreira profissional muito diversificada, tendo sido a primeira mulher a trabalhar como produtora executiva na rádio da CBS. Atualmente, a sua obra é publicada um pouco por todo o mundo e já vendeu mais de 30 milhões de exemplares. Vive em Houston, Estados Unidos.
julho 05, 2018

Jurassic World: Fallen Kingdom | Opinião Filmes

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Poster internacional do filme Jurassic World: Fallen Kingdom

Título original: Jurassic World: Fallen Kingdom
Realizador: Juan Antonio Bayona
País: EUA
Ano: 2018
Género: Ação, Aventura, Fição Científica
Elenco: Chris Pratt, Bryce Dallas Howard, Rafe Spall, Justice Smith, Daniella Pineda, James Cromwell, Toby Jones, Ted Levine, Jeff Goldblum, BD Wong, Geraldine Chaplin, Isabella Sermon, Robert Emms, Peter Jason, Kevin Layne
IMDb: https://www.imdb.com/title/tt4881806/


Sinopse:
Owen e Claire retornam à ilha Nublar para salvar os dinossauros restantes de um vulcão que está prestes a entrar em erupção. Eles encontram novas e aterrorizantes raças de dinossauros gigantes ao descobrir uma conspiração que ameaça todo o planeta.


Cena-filme-Jurassic-World-Fallen-Kingdom

Opinião:

Como fã da saga Jurassic Park fui assistir com grande expetativa ao mais recente filme da série. Este novo filme tem lugar algum tempo após os acontecimentos que tiveram origem no filme anterior da saga. Chris Prat e Bryce Dallas Howard voltam nos papéis principais, mas o nosso casalinho não está junto, tendo que se reencontrar para uma nova missão que é resgatar alguns dinossauros da ilha onde estes se encontram aprisionados, uma vez que um vulcão entra em erupção e promete levar os dinossauros novamente à extinção. A principal motivação de Owen é encontrar e resgatar Blue, a inteligente raptor que ele criou e treinou e que além disso foi a sua grande salvadora no filme anterior da saga.

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O momento em que Owen reencontra a sua querida Blue.

Neste novo filme da saga Jurassic Park que conta já com vinte cinco anos, os dinossauros mudam literalmente de ambiente sendo levados para o nosso mundo, a partir daqui estarão certamente lançadas as bases para novas sequelas.

Cena-filme-Jurassic-World-Fallen-Kingdom
Algumas espécies de dinossauros são resgatadas da ilha onde se encontravam por um grupo de mercenários.

Em relação ao filme, apesar dos efeitos especiais de ponta e da muito competente e cómica interpretação de Chris Pratt, posso dizer que Fallen Kingdom não me cativou como o filme anterior em que foi dada uma nova roupagem a uma história de algum modo explorada em demasia. Este filme é completamente diferente dos outros e, por essa razão, não me convenceu. Os dinossauros são completamente retirados do seu ambiente e tornam-se menos ameaçadores do que anteriormente e todo o rumo que leva a história é no sentido de os humanizar e desumanizar o Homem que não olha a meios para ganhar lucro fácil à custa das inocentes e indefesas criaturas.

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Owen cara a cara com o famoso T-Rex.

Retirados da ilha onde se encontravam isolados depois dos trágicos acontecimentos do filme anterior, os dinossauros são agora transportados para a mansão do homem que originalmente os trouxe ao mundo, Benjamin Lockwood, mas enquanto as nobres intenção do senhor Lockwood são encontrar um refúgio para os dinossauros, o seu herdeiro tem outros planos completamente opostos e os nossos heróis, Owen, Claire e companhia, são atirados para o meio disto tudo. Pelo meio existe uma criança especial que, tal como é de apanágio neste tipo de obras, terá que fugir e aguardar o resgate por parte dos heróis do costume.

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Momento tenso em que tentam se esconder do novo protótipo de dinossauro criado em laboratório.

Concluindo, estamos perante um filme cliché e por demais previsível que nos garante bons momentos de ação e efeitos especiais incríveis. Jurassic World: Fallen Kingdom é também um filme que procura acrescentar algo de novo à saga, mas que acaba também por lhe retirar algumas das raízes que durante vinte e cinco anos foram germinado na cabeça dos seus fãs mais antigos. Sendo que os novos fãs da saga não têm este tipo de raízes e os outros fãs apenas têm que as cortar, este filme é o futuro desta saga que tantos momentos emocionantes tem dado aos seus milhões de fãs espalhados pelo mundo como eu. Certamente que surgirão muitos mais filmes destes no futuro.

Cena-filme-Jurassic-World-Fallen-Kingdom
Mais uma vez a corajosa Blue parte em defesa do seu querido Owen contra um oponente muito maior do que ela.


O melhor: A dupla Blue e Owen continua amorosa, eficaz e mortífera como sempre.

O menos bom: Infelizmente, não consigo simpatizar com a Claire, personagem interpretada por Bryce Dallas Howard, que devido à sua aparência de boneca insuflável, cujo papel parece ser primariamente agradar o público masculino e só depois ter um papel de destaque no filme, me irrita profundamente.
julho 02, 2018

Para Sempre, Judith McNaught | Opinião Livros

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Capa-do-livro-Para-Sempre-de-Judith-McNaught
Capa do livro Para Sempre.

Sinopse:
Victoria Seaton cruzou um oceano. Para trás, deixou tudo o que amava. A sua cidade, Nova Iorque. Andrew, o homem dos seus sonhos. E a casa onde nasceu, agora tristemente vazia após a morte súbita dos pais. 
Desamparada, Victoria não tem outra solução que não rumar ao desconhecido. A Inglaterra, um país que que nunca visitou. Aos aristocráticos Fielding, uma família que nunca viu e à qual pertence apenas no papel. A uma herança que não sabia existir. O seu único conforto é a sua irmã Dorothy, a quem protege fingindo ser a mulher corajosa que, intimamente, teme não ser. A alta sociedade britânica rapidamente a põe à prova com as suas regras rígidas, tão diferentes dos modos calorosos e simples do seu país natal. Igualmente impenetráveis são as reacções da família. Quando conhece a avó - a duquesa de Claremont - Victoria não percebe o porquê do seu olhar venenoso e a sua obstinação em acolher apenas Dorothy. As irmãs acabam por ser separadas e Victoria fica à mercê do jovem lorde Jason Fielding, seu primo afastado. Jason é um homem frio, sensual e implacável. Nos salões da moda, é o alvo de todas as atenções, a chama que atrai homens e mulheres, o "felino selvagem entre gatinhos domésticos". Ele permanece um mistério aos olhos de Victoria, que recusa submeter-se às suas ordens ríspidas. Por seu lado, Jason não sabe como reagir ao temperamento explosivo da jovem americana. A relação de ambos é tão excitante quanto impossível. Sobre ela paira - negra e omnipresente - a sombra do passado com os seus mistérios, segredos e crimes…


Opinião:

Para Sempre conta-nos a história de uma personagem maravilhosa que é Victoria Seaton, uma jovem criada na América, no seio de uma família amorosa e que, subitamente, devido à morte prematura dos pais se vê sozinha no mundo com a irmã mais nova, Dorothy.

Sem parentes na América, as jovens são enviadas para Inglaterra onde a família se divide para as receber. Dorothy fica com a avó que se recusa a receber Victoria que é por sua vez recebida pelo primo afastado Charles Fielding que arma um plano para a juntar com o seu sobrinho Jason Fielding que é na verdade o seu filho ilegítimo. Mas vários acontecimentos vão colocar à prova a jovem Victoria que se vê sozinha num mundo completamente diferente daquele que viveu até então. Um  mundo cheiro de regras e de uma hipocrisia a que ela não estava habituada.

A relação entre os protagonistas, Victória e Jason, é como esperado bastante conflituosa, até porque Jason te imensos fantasmas no armário e a sua amargura contra as mulheres é um obstáculo extremamente difícil de ser ultrapassado para a jovem inocente Victoria.

Posso ter gostado deste livro, mas senti-me desconfortável com determinadas situações envolvendo o modo como Jason tratava a Victoria, inclusive uma situação em particular, que não quero indicar para não incorrer nos famosos spoilers, que considero um crime reprovável, mas enfim trata-se de um história de ficção então vou ignorar...

A capa deste livro é lindíssima, figura inclusive no meu Top 7 - As Capas de Livros Mais Bonitas da Minha Estante e essa razão, a par da sinopse, foi um dos principais fatores que me levou a comprar o livro, uma vez que eu já sabia que esta escritora pode escrever muito bem, mas é conhecida por ser polémica no modo bruto como a suas protagonistas são, por vezes, tratadas pelos protagonistas. Este caso não foi exceção, para mim Jason não merecia Victoria, além disso a jovem foi enganada e forçada a ficar com o protagonista quase contra a sua vontade o que não achei nada lisonjeiro.

Concluindo, estamos perante uma bela história de amor com imensos mal entendidos e uma falta de comunicação atroz para com a protagonista de devia ter sido informada acerca de várias coisas antes de embarcar numa relação tumultuosa com um homem de algum modo desequilibrado emocionalmente, devido aos seus imensos traumas do passado, mas no final tudo se resolveu como seria esperado, contudo, um final diferente não me teria ofendido, pelo contrário, esta foi a primeira vez em que eu torci para que a protagonista ficasse com o outro moço, apesar dele estar ausente durante praticamente todo o livro...

A escrita da autora é irrepreensível e facilmente compreendemos porque que razão ela é uma das autoras mais queridas dentro do género de romance histórico a nível mundial, neste sentido a editora está de parabéns por apostar em Judith McNaught. Na minha estante já está outro livro dela, Algo Maravilhoso, espero que a protagonista seja tratada com mais respeito do que a Victoria é tudo o que peço e, caso não o seja, não pretendo ler um livro de Judith McNaught por muito tempo.


O melhor: A escrita envolvente de Judith McNaught.

O menos bom: Algumas das atitudes de Jason para com Victoria beiram a humilhação e grosseria.


Sobre a autora:

Judith McNaught nasceu nos Estados Unidos. Antes de se dedicar inteiramente à escrita, teve uma carreira profissional muito diversificada, tendo sido a primeira mulher a trabalhar como produtora executiva na rádio da CBS. Atualmente, a sua obra é publicada um pouco por todo o mundo e já vendeu mais de 30 milhões de exemplares. Vive em Houston, Estados Unidos.

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